PEIXOTO DE AZEVEDO — O cacique Raoni Metuktire, de 94 anos, permanece em condição delicada e recebe acompanhamento contínuo após ser diagnosticado com adenocarcinoma pouco diferenciado no aparelho digestivo. O Instituto Raoni informou que ele está sob cuidados paliativos, com foco no controle dos sintomas e na qualidade de vida.
A doença provocou uma obstrução intestinal em junho. Na ocasião, Raoni também teve desidratação, alterações renais, infecção e pneumonia aspirativa. O quadro exigiu uma transferência de emergência de Mato Grosso para São Paulo.
No dia 20 daquele mês, ele passou por uma cirurgia no Hospital São Paulo, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). O procedimento criou uma nova passagem no sistema digestivo para contornar a região bloqueada e possibilitar que o cacique voltasse a se alimentar.
Diagnóstico e acompanhamento
Os primeiros sintomas apareceram há alguns meses, com dores abdominais persistentes. Depois de internações sucessivas ao longo deste ano, exames encontraram uma alteração abaixo do fígado, compatível com um tumor intestinal ou hepático em estágio avançado. Um exame confirmou o adenocarcinoma pouco diferenciado, descrito como um tipo agressivo de câncer.
Por causa da idade e de outros problemas de saúde, as equipes médicas consideraram que uma cirurgia de maior porte e a quimioterapia ofereceriam riscos elevados. Raoni recebeu alta em julho e retornou a Peixoto de Azevedo, onde passou a ter atendimento domiciliar.
No fim de julho, ele foi internado novamente após uma hemorragia digestiva e precisou receber transfusões de sangue. De acordo com o Instituto Raoni, o acompanhamento conta com a família, profissionais de saúde e pajés de confiança do cacique.
Raoni é conhecido pela atuação em defesa dos povos indígenas e da Amazônia. Há quase sete décadas, dedica-se à proteção dos territórios, da floresta e dos direitos indígenas. O instituto pediu respeito à privacidade, ao descanso e às decisões da família.







