A saúde cardiovascular também deve fazer parte dos cuidados regulares das mulheres. Em 2024, cerca de 399 mil brasileiros morreram por doenças do aparelho circulatório, grupo que inclui infarto, acidente vascular cerebral (AVC), insuficiência cardíaca e hipertensão, de acordo com dados do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde.
A prevenção precisa considerar que os fatores de risco e as manifestações cardiovasculares podem mudar ao longo da vida. Hipertensão, diabetes, colesterol elevado, obesidade, tabagismo e sedentarismo estão entre os pontos de atenção. Também entram nessa avaliação o histórico de gestação, a menopausa, alterações hormonais, doenças ginecológicas e condições autoimunes.
Diante de sinais súbitos ou sugestivos de infarto, como dor ou pressão no peito, falta de ar, náuseas ou mal-estar intenso, a orientação é procurar atendimento médico de emergência imediatamente.
Sintomas nem sempre aparecem da mesma forma
A dor ou a pressão no peito são sinais importantes de infarto, mas não são as únicas manifestações possíveis. Mulheres também podem apresentar falta de ar, náuseas, vômitos, fadiga e palpitações. Alterações do sono, cansaço e ansiedade podem surgir antes do evento cardiovascular.
Esses sintomas podem ser confundidos com estresse, cansaço ou alterações hormonais. Isso não significa que toda indisposição esteja relacionada ao coração, mas mudanças súbitas, intensas ou muito diferentes do padrão habitual merecem atenção, principalmente quando aparecem juntas.
O acompanhamento começa antes da menopausa
A menopausa é uma fase relevante para a saúde cardiovascular, mas a avaliação não deve começar somente nesse período. A história reprodutiva também pode ajudar a identificar riscos futuros. Complicações na gestação, como hipertensão e pré-eclâmpsia, estão associadas a um risco cardiovascular maior posteriormente e devem ser consideradas no histórico da paciente.
Depois da menopausa, o acompanhamento de pressão arterial, colesterol, glicemia, peso, atividade física, alimentação e histórico familiar continua importante. A fase pode trazer mudanças metabólicas e no perfil lipídico, mas não significa que toda mulher desenvolverá uma doença cardiovascular. A análise deve considerar o conjunto dos fatores, e não apenas um marcador isolado.
Exames devem ser definidos individualmente
Não existe uma bateria fixa de exames cardiológicos indicada para todas as mulheres. A investigação depende da idade, dos sintomas, do histórico familiar, dos fatores de risco e das condições clínicas.
Conforme a avaliação médica, podem ser indicados exames laboratoriais, eletrocardiograma, ecocardiograma, teste ergométrico, Holter, MAPA ou exames de imagem, entre outros. O objetivo é escolher o método adequado para a questão clínica investigada, evitando tanto exames indiscriminados quanto uma falsa sensação de segurança causada por uma investigação inadequada.
Mesmo mulheres jovens, que não fumam e não estão acima do peso, não devem ignorar o coração. Hábitos saudáveis reduzem o risco, mas não o eliminam. Hipertensão, alterações de colesterol, histórico familiar, doenças inflamatórias e autoimunes, complicações da gestação e condições ginecológicas podem justificar uma avaliação individualizada.
Manter o acompanhamento médico regular permite conhecer os próprios fatores de risco e observá-los ao longo do tempo. A necessidade de exames e o tipo de investigação devem ser definidos de acordo com o histórico e as características de cada mulher.







