A cerimônia de encerramento do Festival do Rio 2026 foi realizada na noite de domingo (11/10), no Cine Odeon, com destaque para “A Margem do Rio”. O longa de Enock Carvalho e Matheus Farias recebeu quatro troféus Redentor e também venceu o Prêmio Felix de Melhor Filme Brasileiro, dedicado ao cinema LGBTQIA+.
A produção levou os prêmios de Melhor Longa-Metragem de Ficção, Fotografia, Som e Melhor Atriz Coadjuvante. Nesta última categoria, o reconhecimento foi dividido entre Renna Costa, Artia e Ísis Broken. O filme é uma coprodução entre Brasil e Alemanha e já havia recebido o Prêmio Especial do Júri no Festival de Locarno, na Suíça.
A história do filme
Ambientado nos manguezais do Recife, “A Margem do Rio” acompanha Izaquiel (Caique Copque), que trabalha durante o dia na limpeza de uma igreja neopentecostal e busca encontros homossexuais clandestinos à noite. A rotina dele se transforma ao conhecer Jeremias (Ítalo Martins), um pescador que o leva para as profundezas do mangue.
A trama reúne suspense, erotismo e realismo mágico para abordar a repressão religiosa à sexualidade. Em um debate no festival, Matheus Farias contou que passou 20 anos dentro de uma igreja, em funções de liderança, enquanto lidava com conflitos sobre sua identidade sexual. A vivência serviu de inspiração para o ambiente religioso retratado na obra.
Renna Costa, Artia Lauandah e Ísis Broken interpretam Sophia, Mica e Juliana, três mulheres trans e travestis que dividem a casa com Izaquiel e formam sua família escolhida. Ísis Broken também ficou conhecida por interpretar Corina Castello na novela “No Rancho Fundo”.
Outros vencedores
“Elza”, de Eryk Rocha, venceu como Melhor Documentário. O filme sobre Elza Soares, morta em 2022, combina a voz da cantora com registros históricos, apresentações musicais e imagens de produções brasileiras.
“Vicentina Pede Desculpas”, de Gabriel Martins, recebeu os troféus de Melhor Direção de Ficção e Melhor Roteiro, além de vencer como Melhor Longa de Ficção pelo Voto Popular. O drama acompanha uma professora aposentada de 75 anos, interpretada por Rejane Faria, que perde o filho em um acidente de ônibus. O longa estreia em cinemas selecionados em 5 de novembro e chega à Netflix no dia 20 do mesmo mês.
O Festival do Rio exibiu 101 produções brasileiras nesta edição, com 45 delas nas competições oficiais. Na mostra Novos Rumos, “Não Estamos Sonhando”, de Ulisses Arthur, foi eleito Melhor Longa-Metragem. Guilherme Terreri, conhecido como Rita Von Hunty, recebeu o Prêmio Suzy Capó de Personalidade do Ano.







