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Anne Hathaway encontra força em Verity, mas o suspense perde impacto
Cinema

Anne Hathaway encontra força em Verity, mas o suspense perde impacto

A adaptação do livro de Colleen Hoover aposta em novas versões dos fatos, mas não desenvolve personagens capazes de sustentar o mistério.

O maior problema de Verity não está na quantidade de segredos, mas na falta de peso que eles ganham ao longo da história. A adaptação dirigida por Michael Showalter apresenta uma descoberta atrás da outra, porém não constrói relações fortes o bastante para que cada revelação provoque apreensão ou mude de maneira significativa a experiência de quem assiste.

Anne Hathaway é o ponto de maior interesse do elenco como Verity Crawford, uma escritora incapacitada depois de um acidente de carro. Mesmo limitada pelas escolhas do roteiro de Nick Antosca, a atriz dá presença à personagem e sustenta momentos que poderiam ter sido mais bem aproveitados pela direção.

A trama acompanha Lowen Ashleigh (Dakota Johnson), que passa por dificuldades financeiras depois da morte da mãe. Ela é convidada a concluir os livros de Verity e vai morar na casa da autora. Durante o trabalho, encontra anotações, rascunhos e um manuscrito autobiográfico com confissões perturbadoras. A situação se complica quando Lowen se aproxima de Jeremy (Josh Hartnett), marido de Verity, e começa a desejar a vida daquela família.

O filme sugere que o luto, a insegurança profissional e a chance de obter conforto material ajudam a explicar as decisões de Lowen. Ainda assim, a personagem não é desenvolvida com profundidade suficiente para que se entenda quais princípios ela estaria disposta a abandonar. A transformação entre sua chegada à casa e as escolhas posteriores também acontece sem uma progressão convincente.

Dakota Johnson reforça essa fragilidade com uma atuação de alcance expressivo limitado. A voz baixa e a postura contida mudam pouco diante da curiosidade, do desejo e do medo. Com isso, reações que deveriam marcar novas etapas na relação de Lowen com os outros personagens acabam parecendo muito próximas umas das outras.

As cenas em que Lowen lê o manuscrito repetem a mesma solução visual: a direção volta aos olhos da personagem ou ao papel em suas mãos, mesmo quando a situação já está clara. A estrutura poderia explorar melhor o efeito das palavras sobre ela, mas prefere reiterar o ato da leitura. O trabalho de Lowen como romancista também recebe atenção superficial, sem que sua experiência altere de forma relevante a interpretação do material encontrado.

Michael Showalter não aproveita o espaço da casa nem o que fica fora do campo de visão para criar expectativa. Os sustos previsíveis e os enquadramentos simplificados pouco contribuem para o clima. Até elementos conhecidos do gênero, como o lago associado a um segredo, aparecem mais como indicação de que algo está escondido do que como motivo real de inquietação.

Josh Hartnett interpreta um marido sedutor cujo caminho se mantém próximo do esperado. O ator já desempenhou função semelhante em Armadilha, mas, naquela ocasião, o charme usado para influenciar outras pessoas vinha acompanhado de mais nuances de personalidade. Em Verity, o personagem permanece preso a uma construção previsível.

As reviravoltas conseguem produzir alguma surpresa, mas as explicações seguintes se tornam progressivamente mais difíceis de aceitar. Quando o filme reconsidera o sentido da confissão escrita, a ambiguidade deixa de ampliar o mistério e passa a depender da ideia de que qualquer informação pode ser desmentida. Para essa escolha funcionar, seria necessário um retrato mais consistente de Lowen e de seus desejos.

A adaptação tenta transitar entre o melodrama e o suspense, mas não encontra uma forma capaz de dar força aos excessos nem ameaça aos segredos. A cada nova versão dos acontecimentos, a expectativa pela próxima revelação substitui o envolvimento com os personagens. O resultado é uma história em que muita coisa pode mudar, mas poucas mudanças realmente importam.

Texto produzido pela Redação Cena Plural com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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