BÉLGICA — Antes de morrer por eutanásia, Arnaud Denis criou um coletivo para reunir pacientes que relatavam problemas semelhantes aos enfrentados por ele após uma cirurgia para corrigir uma hérnia. O grupo, chamado “Vítimas Francesas de Próteses para Hérnia”, reuniu centenas de relatos.
O ator francês morreu aos 43 anos na Bélgica. O advogado Philippe Courtois afirmou que Denis estava em estado de invalidez severa depois da colocação de um implante para hérnia. O procedimento ocorreu três anos antes, e o artista passou a registrar nas redes sociais a piora de sua saúde.
Cirurgia e agravamento
Denis foi submetido, em 17 de julho de 2023, a uma operação para tratar uma hérnia inguinal do lado direito. Durante o procedimento, recebeu uma prótese de polipropileno. A recuperação não evoluiu como esperado, e ele passou a descrever dificuldades para caminhar, dores e alterações na coluna.
Em julho de 2025, escreveu no Facebook: “Há dois anos que o meu estado se deteriora inexoravelmente”. Em janeiro deste ano, afirmou que não havia solução para seu quadro e disse, em entrevista ao Le Dauphiné Libéré, que “Os médicos não têm mais nada a me oferecer”.
A última publicação de Denis sobre o tema foi feita na manhã desta terça-feira (22), em um longo desabafo. Ele mencionou o sofrimento causado pela encefalomielite miálgica grave e afirmou que não queria despertar pena nem chamar atenção para si.
Carreira no teatro e no cinema
Formado em atuação, Denis estudou com Jean Périmony e Jean-Laurent Cochet. Ele também fundou a companhia teatral Les Compagnons de la Chimère.
No cinema, ficou conhecido por trabalhos em “Yves Saint Laurent”, dirigido por Jalil Lespert, e “Vivre!”, de Yvon Marciano. Em 2023, apresentou no teatro uma releitura de “Ligações Perigosas” (“Les Liaisons dangereuses”), romance de Pierre Choderlos de Laclos.
A eutanásia foi realizada na Bélgica, onde o procedimento é legalizado desde 2002. No Brasil, a prática é considerada crime.







