RIO DE JANEIRO — Igor Cosso estreia neste sábado (10), no Teatro Glaucio Gill, seu primeiro monólogo, CRUISE: minha última noite na Terra. Aos 35 anos, o ator também assina a idealização da montagem e encara pela primeira vez o palco sozinho.
A peça britânica, escrita por Jack Holden, chega ao Brasil com uma história ambientada durante a epidemia de HIV/AIDS dos anos 80. A trama acompanha Jack, um jovem voluntário de uma linha de apoio à comunidade LGBTQIAPN+, durante uma conversa por telefone com Michael, homem que viveu aquele período.
A partir desse contato, o espetáculo aborda amor, amizade, música, liberdade, preconceito e os impactos da crise de HIV/AIDS. A leitura do monólogo foi indicada a Igor por um amigo, e o ator decidiu trazer a obra para o país depois de se envolver com a narrativa.
“Eu soube que eu queria trazer a peça para cá no momento em que eu li”, disse Igor Cosso.
Para o ator, a montagem pode representar um divisor de águas na carreira. Além de sustentar a apresentação sem outro artista em cena, ele construiu diferentes personagens e precisou encontrar, em si mesmo, recursos para dar vida a cada um deles.
O protagonista é descrito por Igor como afeminado e escalafobético, características que contrastam com a forma como o ator se enxerga. Ele se define como mais retraído e tímido, e afirma que interpretar esse personagem tem sido uma experiência terapêutica.
O processo também levou o artista a reconhecer aspectos que já existiam nele, mas ainda não haviam sido explorados. “Sou eu por inteiro ali, descobrindo várias coisas”, afirmou.
Responsabilidade ao abordar a epidemia
Igor destaca que falar sobre a epidemia de HIV/AIDS e seus efeitos na população LGBT exige cuidado, principalmente por se tratar de um período marcado pela falta de informação e pelo preconceito. A equipe busca escolher os termos adequados para evitar a estigmatização e acolher as pessoas retratadas na história.
O ator também contou que a experiência de estar sem apoio de outro intérprete em cena transforma cada apresentação em uma descoberta. Para ele, a relação direta entre artista e público mantém a história viva e dá ao teatro uma responsabilidade de acolhimento, respeito e amor.







