Uma pesquisa conduzida por linguistas das universidades de Copenhague e Aarhus, na Dinamarca, concluiu que a voz de Madonna não acompanha alguns padrões normalmente associados ao envelhecimento feminino. O estudo foi publicado no periódico científico Nordic Journal of English Studies.
Os pesquisadores analisaram entrevistas da cantora realizadas entre 1980 e 2021. Para isso, usaram medições acústicas do tom e avaliações da pronúncia de vogais. A investigação considerou tanto a altura da voz quanto a forma como Madonna articula determinados sons.
Após a menopausa, a voz feminina tende a ficar mais grave por causa da perda de elasticidade muscular nas cordas vocais. A pronúncia de algumas vogais também pode mudar com o avanço da idade. No caso de Madonna, a voz ficou mais grave “por volta de 2013”, quando ela tinha 55 anos, mas voltou a soar mais aguda nos anos seguintes.
“Nosso estudo mostra que a voz de Madonna parece mais jovem do que sua idade”, afirmou Anna Bothe Jespersen, líder da pesquisa e linguista da Universidade de Copenhague. Segundo ela, o tom da cantora não corresponde ao que seria esperado de uma mulher na casa dos 60 anos, e a pronúncia de várias vogais não segue padrões associados à geração ou aos lugares onde Madonna viveu.
Para os cientistas, é quase impossível estimar a idade cronológica da artista apenas pela fala. As variações registradas podem indicar esforço e controle consciente para projetar uma identidade jovem. Terapias de reposição hormonal também são apontadas como uma possível influência no resultado, sem que o estudo determine esse efeito.
A pronúncia de Madonna também não acompanha os sotaques de Michigan e Nova York, regiões onde ela cresceu ou morou. A análise de palavras como trap, dress, kit e thought mostrou que a cantora articula as vogais mais à frente na boca e com forte distinção. Pesquisas linguísticas associam esse tipo de pronúncia à jovialidade, à atratividade e à sensualidade.
Os pesquisadores afirmam que a voz da cantora é difícil de situar tanto em relação à idade quanto à origem geográfica. Ao longo dos 40 anos analisados, alguns dos tons mais baixos apareceram durante a década de 1980, quando Madonna era jovem. Em geral, porém, a voz ficou mais aguda desde o final da década de 1990.
A conclusão é que Madonna provavelmente trabalhou de forma intencional para modificar aspectos da própria voz e preservar uma imagem vocal jovem enquanto envelhecia. Para Anna Bothe Jespersen, o caso também revela uma mudança cultural na maneira como o envelhecimento é compreendido, já que aparência, linguagem e voz podem influenciar a forma como uma pessoa é percebida ao longo da vida.







