BOSTON — Quase 1 bilhão de streams globais sob demanda e 1,3 milhão de vídeos no TikTok depois, “Dracula” se tornou o ponto de encontro musical entre Jennie e Kevin Parker. O remix, lançado em fevereiro, também levou os dois ao primeiro Top 10 de suas carreiras na Billboard Hot 100.
A parceria nasceu de uma conversa entre Parker e Peter Utz, amigo em comum dos artistas. O músico, conhecido pelo trabalho à frente do Tame Impala, disse a Utz que admirava a voz de Jennie. O executivo de relações públicas, que trabalhava para a Celine na época, enviou uma mensagem para a cantora. Jennie aceitou participar imediatamente.
De Seul ao estúdio virtual
Os dois já tinham se encontrado por acaso em um bar ou restaurante subterrâneo de Seul, na Coreia do Sul. Parker contou que estava com Utz e que já era tarde da noite. Jennie lembrou que aquela foi uma noite divertida e que Parker tinha acabado de chegar à Coreia, sem estar em turnê ou trabalhando no país.
Meses depois, a gravação precisou acontecer à distância. Parker estava na China e correu de volta para o quarto de hotel para abrir o laptop e entrar em contato com Jennie, que estava no estúdio. Como eles não estavam na mesma cidade, todas as sessões foram feitas pelo Zoom.
Jennie acompanhou o processo com entusiasmo. Ela disse que a música era diferente de tudo que estava lançando e que isso trouxe uma nova empolgação. Parker, por sua vez, ficou impressionado com a precisão da cantora durante as gravações. “Dracula” tem muitas faixas, e o refrão reúne oito vocais simultâneos.
A cantora afirmou que a parte mais difícil foi cantar a parte de Parker por cima da própria voz. Ainda assim, contou que gostou tanto do resultado que não pensou no trabalho como algo difícil. Para Parker, a faixa está entre as mais complicadas de cantar e precisa aparecer em uma parte do show do Tame Impala em que a voz já esteja aquecida.
Uma música em outro patamar
A versão original de “Dracula” havia aparecido alguns meses antes no álbum Deadbeat, do Tame Impala. Depois, o remix ganhou força com uma atmosfera synth-pop sombria e a circulação em uma tendência viral do TikTok.
Parker já havia trabalhado com outros nomes da música pop. Ele participou da composição de “Same Ol’ Mistakes”, regravada por Rihanna em 2016, e foi coautor e coprodutor de grande parte de Radical Optimism, álbum de Dua Lipa lançado em 2024. Para ele, porém, “Dracula” alcançou uma dimensão diferente.
Jennie contou que começou a receber mensagens de amigos quando a faixa ganhou destaque. A cantora disse que, como artista, nem sempre consegue entender como uma música começa a crescer. Parker afirmou que teve a sensação de que o remix levaria a canção a outro nível.
A conexão entre os dois também apareceu antes do sucesso. Jennie contou que, desde o encontro na Coreia, imaginava que eles poderiam entrar em um estúdio e compor juntos. Ela disse que sempre ouviu e estudou a música de Parker, atraída pela energia e pela capacidade que as canções dele têm de transportá-la para outra atmosfera.
O encontro no palco
A conversa aconteceu antes de uma apresentação conjunta no TD Garden. Cerca de 20.000 fãs veriam Jennie participar do show de Parker no remix de “Dracula”. Na apresentação, a entrada da cantora foi acompanhada por luzes escarlates e confetes da mesma cor, enquanto a plateia reagiu com gritos.
Jennie afirmou que a ansiedade antes de entrar no palco envolve a roupa, a aparência e o clima. Depois que começa a apresentação, segundo ela, o que permanece é a conexão com o público. Parker disse se sentir da mesma forma: antes do show, existe a impressão de que todos vão julgar; depois, fica claro que as pessoas estão ali para assistir.
Para Jennie, a principal diferença entre um show solo e uma apresentação com as integrantes do Blackpink está na pré-produção. Em uma banda, é preciso alinhar as decisões entre várias pessoas. Na carreira solo, ela passou a cuidar de todo o processo e disse gostar de transitar entre as salas para garantir que tudo esteja alinhado.
A cantora também afirmou que ainda está se adaptando a essa função. Depois do lançamento de Ruby, no ano passado, ela passou a se envolver mais diretamente com a música e decidiu se dedicar às atividades que realmente lhe dão prazer, em vez de fazer algo apenas por obrigação.
No fim da conversa, Jennie definiu a parceria com Parker como uma ligação criada pela própria música. “Dracula” teria conectado os dois e se tornado uma canção compartilhada. Parker concordou que a colaboração parecia coisa do destino, e Jennie disse acreditar nisso.







