RIO DE JANEIRO — Karim Aïnouz relacionou Rosebush Pruning, seu novo filme, ao cenário político durante a première nacional no Festival do Rio. Na apresentação, o diretor afirmou que a produção nasceu da inspiração nos “monstros que nos cercam” e fez referência às eleições daquele período.
“Hoje, passado esse tempo, estamos às véspera daquela que talvez seja a eleição mais importante da história desse país”, declarou Aïnouz. O cineasta comparou as escolhas eleitorais à oposição entre esperança e barbárie, além de dizer que sonhava com uma história em que as pessoas pudessem se libertar desses monstros.
O primeiro turno aconteceu no dia seguinte à sessão. Em outro momento do discurso, Karim lembrou que, em 2002, a palavra de ordem era esperança após a eleição de um operário nordestino para a Presidência do Brasil. A fala provocou aplausos e manifestações de apoio a Luiz Inácio Lula da Silva, então candidato à reeleição.
A família no centro da história
Definido pelo próprio diretor como uma parábola absurda, caótica e bem-humorada, Rosebush Pruning acompanha quatro irmãos norte-americanos isolados em uma mansão com o pai cego. Eles vivem cercados pelo luxo de uma fortuna inesgotável e mantêm relações de dependência mútua que fogem do normal.
A produção é estrelada por Callum Turner, Jamie Bell, Elle Fanning, Riley Keough e Lukas Gage. O longa chega ao público no dia 15 e representa o segundo trabalho internacional de Aïnouz, depois de Motel Destino.
Durante a sessão, o cineasta também recordou sua passagem pelo Cine Odeon, no Centro do Rio de Janeiro. Há exatos 24 anos, ele esteve no mesmo palco para a estreia de Madame Satã, seu primeiro filme, ao lado de Ilda Santiago, diretora do Festival do Rio e colaboradora de seu trabalho.
Ao encerrar a apresentação, Aïnouz pediu que o público se divertisse, risse e se assombrasse com o filme. Para isso, citou uma frase popularizada por Kleber Mendonça Filho: cinema é a maior diversão.







