Larissa Murai atua e assina o roteiro de Oratório, longa de terror dirigido por Caroline Okoshi Fioratti. A história acompanha três irmãs nipo-brasileiras depois da morte da avó japonesa, quando elas precisam decidir o que fazer com o butsudan deixado por ela.
O objeto é um oratório religioso usado como espaço de homenagem aos antepassados. Na narrativa, ele se torna o centro de uma disputa entre diferentes formas de lidar com a herança cultural, a memória familiar e a ancestralidade.
A trama também marca o primeiro longa-metragem escrito por Larissa. A parceria com Caroline começou antes do projeto, quando as duas se conheceram durante um filme realizado pela atriz em 2021. Como também tem formação em cinema, Larissa passou a conversar com a diretora sobre filmes e possibilidades de trabalhar com roteiro.
“Um dia eu falei pra ela, olha, se você tiver uma oportunidade em roteiro, me chama, porque eu quero muito também”, relembrou Larissa. O convite veio depois e levou à colaboração em Oratório, que reúne as duas em funções criativas e no elenco.
Pertencimento e conflito entre gerações
A experiência compartilhada de Larissa e Caroline como mulheres nipo-brasileiras ajudou a definir a identidade do filme. A partir da relação entre as três irmãs, a produção aborda pertencimento, conflito geracional e luto.
Depois da morte da avó, uma das personagens considera se desfazer do butsudan. Outra reconhece a importância do altar para a família e para sua conexão com os antepassados. O objeto, assim, carrega uma dimensão religiosa e familiar que atravessa gerações.
“É um filme que fala muito sobre a experiência de ser mulher nipo-brasileira”, explicou Larissa. A decisão sobre guardar ou descartar o oratório expõe diferentes maneiras de se relacionar com a própria história e com a herança deixada pela avó.
O terror como linguagem
Apaixonada pelo gênero, Larissa vê o terror como uma forma de ampliar os temas do roteiro. Entre suas referências está Seishun Kaidan, filme japonês que trabalha com figuras como yurei e yokai, ligadas às lendas japonesas.
A atriz e roteirista também destaca produções que usam elementos sobrenaturais para abordar questões históricas e sociais. Em Oratório, o medo nasce dentro de uma situação familiar marcada pelo luto, pelas diferenças entre gerações e pelas dúvidas sobre o lugar de cada personagem em uma história anterior a elas.







