Lilly Wachowski criticou os fãs que continuam consumindo produtos de Harry Potter por causa das posições públicas de J.K. Rowling sobre pessoas trans. Para a diretora de Matrix, parte do dinheiro movimentado pela franquia chega à autora e pode ser direcionada às causas políticas que ela defende.
“Ela está financiando um genocídio trans. J.K. Rowling financia um genocídio trans, ponto final”, declarou Wachowski em entrevista. Na avaliação da cineasta, quem apoia Harry Potter também contribui indiretamente para essas ações.
Wachowski comparou a situação à decisão de consumidores que deixam de comprar produtos por discordarem das posições políticas ou ambientais de seus fabricantes. “É matemática simples”, afirmou.
Rowling segue ligada à nova série
J.K. Rowling permanece envolvida na nova produção de Harry Potter da HBO. A autora participou da escolha da showrunner Francesca Gardiner e do diretor Mark Mylod. A emissora já declarou que a série não vai reproduzir as opiniões políticas de Rowling.
Casey Bloys, chefe da HBO, disse que as posições da autora são pessoais e não serão incorporadas à narrativa. Ao mesmo tempo, parte do elenco se manifestou em defesa dos direitos de pessoas trans. Paapa Essiedu, escolhido para interpretar Severo Snape, assinou uma carta de apoio às comunidades trans, não binárias e intersexo no Reino Unido.
Rowling afirmou que não demitiria o ator por causa de suas opiniões e disse que nem sequer teria poder para fazer isso.
Debate entre fãs
A crítica de Wachowski retoma uma discussão que divide a comunidade de Harry Potter: é possível continuar apreciando a obra sem apoiar sua autora? MuggleNet e The Leaky Cauldron se afastaram de Rowling depois das declarações dela sobre pessoas trans.
Uma pesquisa informal com cerca de 250 fãs altamente engajados apontou que 79% dos participantes cisgênero se sentiam divididos sobre comprar novos produtos da franquia.
Enquanto alguns grupos defendem abandonar completamente o universo criado por Rowling, outros discutem formas de continuar participando do fandom e apoiar organizações voltadas à comunidade trans. Para Wachowski, consumo e política não estão separados, porque a disputa também envolve quem controla os recursos e as plataformas da indústria cultural.







