A proposta para transferir 90% da SAF do Vasco à Almirante Participações prevê mudanças no controle do futebol, investimentos em infraestrutura e a permanência do clube associativo com 10% da empresa. A operação, porém, ainda não foi concluída e depende de aprovações internas e de uma análise regulatória.
A companhia de Marcos Lamacchia venceu o leilão judicial realizado em 25 de setembro. O Conselho Deliberativo do Vasco vai avaliar a alteração estatutária e a proposta em sessão extraordinária de 6 de outubro. Se houver aprovação, os sócios ainda terão de decidir sobre o negócio em Assembleia Geral Extraordinária.
Recursos para o futebol e a estrutura
O acordo prevê pelo menos R$ 500 milhões em aportes exclusivos para o futebol até 2030. O valor será pago em cinco parcelas de R$ 100 milhões, com correção pelo INPC. A futura SAF também assumirá os ativos esportivos e as dívidas ligados à estrutura, além de ficar sujeita a mecanismos de cobrança em caso de descumprimento dos aportes.
A infraestrutura terá investimentos separados. A empresa deverá destinar R$ 120 milhões ao centro de treinamento profissional durante dez anos. Para as categorias de base, a previsão é de R$ 30 milhões em melhorias ao longo dos próximos dois anos, sem incluir possíveis despesas com compra de terrenos.
O projeto também estabelece a criação de iniciativas de incentivo fiscal em benefício do clube associativo. A meta é atingir até R$ 150 milhões progressivamente durante uma década.
Uso de São Januário
A Almirante terá direito de usar São Januário nos jogos profissionais como mandante, com preferência exclusiva até 31 de dezembro de 2030. Pelo acordo, pagará R$ 3 milhões anuais ao Club de Regatas Vasco da Gama. Se o estádio estiver em obras, o repasse será de R$ 2 milhões.
Para que o clube fique com 10% da SAF, o estatuto vascaíno precisará ser alterado. Atualmente, o documento prevê participação mínima de 20%. A mudança será analisada pelo Conselho Deliberativo antes da votação dos sócios.
Análise sobre vínculo com Leila Pereira
A negociação também é acompanhada pela Anresf por causa da relação familiar entre Lamacchia e Leila Pereira, presidente do Palmeiras. O empresário é filho de José Roberto Lamacchia e enteado da dirigente.
A agência ainda não concluiu publicamente a análise sobre possíveis conflitos de interesse. A empresa de Lamacchia afirma que eventuais determinações do órgão não desfariam automaticamente a operação. O Vasco espera concluir os procedimentos até o fim de outubro.







