A aviação doméstica brasileira registrou 8,31 milhões de passageiros em maio de 2026, o maior resultado para esse mês desde o começo da série histórica da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), iniciada em 2000. No acumulado entre janeiro e maio, os voos nacionais transportaram 42 milhões de pessoas, cerca de 6% a mais do que no mesmo período de 2025.
O desempenho ocorre após décadas de expansão das companhias aéreas, dos aeroportos, da tecnologia das aeronaves e da oferta de voos. Esse processo ampliou o acesso ao transporte aéreo e mudou a maneira como diferentes partes do Brasil se conectam.
Em um país com mais de 8,5 milhões de quilômetros quadrados, a aviação reduziu o tempo de deslocamento entre regiões e ampliou a circulação de pessoas, negócios e serviços. A Fundação Memória do Transporte (FuMTran) avalia que o recorde deve ser compreendido dentro dessa trajetória.
“À medida que novas regiões se desenvolveram, surgiu uma demanda maior por conexões”, afirma Antonio Luiz Leite, presidente da FuMTran. Para ele, o crescimento das rotas também ajudou cidades a acessar mercados, serviços e oportunidades.
Conexões fora dos grandes centros
A expansão da malha aérea teve impacto em localidades da Amazônia, do Centro-Oeste e do interior do país, que enfrentavam limitações na infraestrutura terrestre. Além de diminuir viagens que poderiam durar dias, os voos facilitaram o acesso a centros de saúde, educação, negócios e serviços especializados. A conectividade também favoreceu o turismo, os investimentos e a formação de novos polos regionais.
Manaus é apresentada pela FuMTran como um exemplo desse papel. A distância em relação aos principais mercados consumidores e as características geográficas da Amazônia fizeram do transporte aéreo uma ligação estratégica para a capital amazonense. A ampliação das rotas apoiou a circulação de empresários, trabalhadores e técnicos e contribuiu para atividades ligadas à Zona Franca e ao Polo Industrial de Manaus.
Apesar do avanço, a fundação aponta obstáculos para a próxima fase da expansão. Entre eles estão a infraestrutura aeroportuária, a conexão com cidades menores, os custos operacionais, a previsibilidade regulatória e a sustentabilidade.
Leite afirma que ainda existem regiões com oferta limitada de voos. Na avaliação do presidente da FuMTran, o desafio é ampliar as ligações e conciliar crescimento, eficiência e acessibilidade.
A FuMTran foi criada em março de 1996 pela Confederação Nacional dos Transportes (CNT). A entidade preserva e divulga a memória, a história e a cultura do transporte brasileiro em diferentes modalidades, além de manter registros sobre infraestrutura e logística.







