NOVA DÉLHI — A criação de uma moeda própria do BRICS voltou a ganhar espaço nas discussões sobre o futuro do grupo, que realiza sua 18ª Cúpula de Líderes na capital da Índia. Ainda não existe uma decisão para estabelecer uma moeda comum, mas o tema segue entre as possibilidades analisadas pelos países integrantes.
Uma alternativa mais imediata é aproximar sistemas nacionais de pagamentos digitais. Fontes do governo indiano afirmam que a discussão envolve a conexão de moedas digitais emitidas por bancos centrais. A Índia defende avanços nessa área para facilitar transações comerciais e pagamentos dentro do bloco.
Pix entra no debate
O Brasil participa da conversa com a experiência do Pix, sistema criado pelo Banco Central. A ferramenta alterou a forma como pagamentos e transferências são realizados no país e também despertou interesse fora dele.
Especialistas chineses demonstram apreço pelo sistema, e fontes da Embaixada chinesa no Brasil afirmam que a China tem grande interesse no Pix. China e Índia já contam com estruturas próprias para pagamentos digitais, enquanto o Brasil leva à discussão uma plataforma amplamente utilizada.
Em maio deste ano, o Pix ultrapassou 7 bilhões de transações em um único mês. A proposta, no entanto, não é simplesmente replicar o sistema brasileiro em outros países. Um dos principais desafios é permitir a comunicação entre soluções nacionais diferentes, criando condições para pagamentos internacionais mais fáceis entre os integrantes do BRICS.
Durante a cúpula, ministros, autoridades econômicas e representantes dos países devem discutir maneiras de conectar essas estruturas e ampliar a integração financeira. Esse caminho exige menos negociações do que a criação de uma moeda própria, que envolveria decisões sobre emissão, funcionamento, regras e administração das diferenças econômicas entre os países.
Moeda comum ainda é possibilidade
O BRICS reúne quase metade da população mundial e tem participação relevante na economia e no comércio internacional, conforme dados divulgados pelo próprio grupo. Por isso, mudanças na maneira como seus integrantes fazem operações financeiras podem alcançar além do bloco.
A cúpula em Nova Délhi pode indicar o nível de avanço que os países estão dispostos a buscar. As decisões sobre sistemas de pagamento e integração financeira deverão ajudar a mostrar os próximos passos, enquanto a moeda própria permanece sem estrutura definida e depende de negociações complexas.







