A Polícia Civil apreendeu R$ 287 mil e U$ 89 mil durante uma busca em um imóvel ligado a um assessor de Milton Leite, ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo. O dinheiro encontrado soma aproximadamente R$ 744 mil.
A ação ocorreu na manhã desta sexta-feira (18), mas o ex-vereador não estava no endereço. Os agentes foram ao local porque havia a suspeita de que Leite pudesse estar ali. Ele é procurado após a Justiça expedir um mandado de prisão contra ele.
As equipes continuam tentando localizar o político. O delegado responsável pelo caso afirmou que ainda não existe um endereço confirmado para uma nova ação.
Na quinta, Milton Leite negou que estivesse fugindo. Ele disse que estava em viagem e que se apresentaria às autoridades em até 24 horas. Em nota, declarou: “Vou provar minha inocência em todas as acusações”.
Investigação sobre transporte coletivo
Leite foi alvo da Operação Vectura Corrupta, deflagrada na quinta. A investigação apura uma possível infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no sistema de transporte coletivo de São Paulo.
A operação também teve como alvos Levi dos Santos Oliveira, ex-presidente na SPTrans; Danilo Marco Morgado Silva, candidato a deputado estadual pelo PL; Paulo Sirqueira Korek Farias, presidente da empresa de ônibus A2 Transportes e do Esporte Clube Água Santa; e Julio Salvador Filho, diretor da A2 Transportes.
As diligências foram realizadas em São Paulo, Santana de Parnaíba, São Bernardo do Campo, Diadema, Santos, Praia Grande e Cubatão. Ao todo, a polícia buscou cumprir 16 mandados de prisão e 18 de busca e apreensão.
Advogados, empresários e outras pessoas apontadas na investigação como suspeitas de integrar ou colaborar com o esquema também foram citados como alvos de medidas cautelares.
A apuração é um desdobramento da Operação Decúrio, deflagrada em agosto de 2024. Na ocasião, foram identificadas estruturas usadas pelo PCC para manter a comunicação entre integrantes dentro e fora dos presídios, incluindo advogados. Também foram apontadas lideranças ligadas à “Sintonia Restrita” e à “Sintonia dos Gravatas”, além de um projeto de infiltração de integrantes do crime organizado nas eleições municipais daquele ano.
Nesta nova etapa, os investigadores afirmaram ter identificado a atuação conjunta de advogados com o crime organizado e a presença de empresas de transporte coletivo entre os alvos. A Polícia Civil informou que a análise do material obtido indicou possível controle direto ou indireto de pelo menos 12 empresas pelo PCC, parte delas já investigada anteriormente.
Manifestações dos investigados
Danilo Morgado afirmou, em uma publicação nas redes sociais, que considera a prisão uma forma de perseguição política. Ele também questionou o momento da medida, às vésperas do período eleitoral, e disse que não vai recuar.
A A2 Transportes negou qualquer envolvimento com o PCC, lavagem de dinheiro ou outras atividades ilícitas. Em nome de Paulo Siqueira Korek e Julio Salvador Filho, a empresa declarou que os recursos recebidos vêm exclusivamente de contratos e pagamentos da Prefeitura pelos serviços prestados. A companhia disse ainda que está à disposição das autoridades e que continuará colaborando com as investigações.
A defesa de Levi dos Santos Oliveira afirmou que ele é primário e não tem antecedentes. Também informou que ainda não teve acesso aos autos nem às circunstâncias que fundamentaram a prisão. Segundo a defesa, as medidas jurídicas cabíveis serão adotadas após a análise da decisão e dos elementos do caso.






