O resultado do primeiro turno levou a campanha de Lula a rever a estratégia para as próximas três semanas. O presidente terminou a votação atrás de Flávio Bolsonaro, com 45,16% dos votos válidos, contra 47,03% do adversário — diferença de pouco menos de 2 pontos percentuais.
Lula acompanhou a apuração em um hotel em São Paulo e, conforme relatos de pessoas presentes, permaneceu em silêncio diante do resultado. O segundo turno era considerado possível pela coordenação, mas não estava nos cálculos terminar a primeira etapa em segundo lugar.
A avaliação feita nesta segunda-feira (5) é de que a votação provocou um “choque de realidade” na campanha. A equipe reconhece a influência de um movimento internacional de fortalecimento da direita, mas também faz uma autocrítica sobre a comunicação adotada durante a disputa.
Na avaliação interna, Lula concentrou-se em apresentar entregas do governo e não conseguiu captar de forma suficiente o desejo por mudança manifestado por parte do eleitorado. A palavra adotada pela campanha para a nova fase é humildade: a orientação é reconhecer erros, compreender o recado das urnas e reorganizar a atuação.
Reuniões e busca por apoios
A coordenação se reúne nesta segunda-feira (5), na sede do PT, em Brasília, para avaliar o resultado e redesenhar a estratégia. No fim da tarde, Lula convocou aliados para um encontro mais amplo em um hotel da capital. Foram chamados candidatos aliados aos governos estaduais e ao Senado, eleitos ou derrotados, com o objetivo de reunir forças políticas e discutir a mobilização para o segundo turno.
A campanha também pretende ampliar as conversas com candidatos derrotados à Presidência. Entre os possíveis apoios está o de Augusto Cury, que terminou o primeiro turno com 2,89% dos votos válidos. A própria campanha considera esse movimento difícil.
A decisão de Gilberto Kassab de manter o PSD neutro foi recebida positivamente por aliados de Lula. O partido liberou diretórios e lideranças para escolher individualmente quem apoiar.
O presidente permanece em Brasília nesta terça-feira (6). A agenda do segundo turno começa a ser definida a partir das reuniões desta segunda-feira. Desde a redemocratização, nenhum candidato presidencial que terminou o primeiro turno em segundo conseguiu virar a disputa. Nas sete eleições com segundo turno desde 1989, o líder da primeira votação foi eleito, embora esse histórico não projete o resultado de 2026.







