CAMPINA GRANDE — Campina Grande completa 162 anos de emancipação política neste domingo (11), e a identidade da cidade também é preservada pelo trabalho de personagens que fazem parte do cotidiano do Centro. Entre bancas, ferramentas, livros, discos e revistas, eles construíram relações que atravessam décadas e gerações.
A cidade foi emancipada em 11 de outubro de 1864. Conhecida pelo Maior São João do Mundo, Campina Grande reúne manifestações culturais ligadas à arte, à música e às lembranças de quem acompanhou suas transformações. A trajetória também passa por figuras como o cantor e compositor Biliu de Campina, além de trabalhadores que mantêm atividades tradicionais nas ruas.
Ofícios que viraram parte da paisagem
Na Rua Venâncio Neiva, seu Alcides segue trabalhando aos 92 anos. A rotina no mesmo local já dura pelo menos cinco décadas. Ele chegou a Campina Grande em 1949, onde formou a família e aprendeu a amolar alicates e tesouras, além de consertar objetos.
Com o tempo, os clientes se tornaram amigos. Alguns frequentam o serviço há tantos anos que a relação passou de uma geração para outra.
Na Praça da Bandeira, seu Orlando mantém uma banca de jornais e revistas há 53 anos. Com a mudança nos hábitos de consumo e a redução da procura por jornais impressos, ele ampliou os produtos oferecidos. O espaço passou a vender refrigerantes, picolés, balas, sorvetes e recargas para cartões de transporte público.
Ao longo desse período, Orlando acompanhou as mudanças na cidade e as diferentes gerações que passaram pela praça. O filho também participa do trabalho e reconhece o legado construído pelo pai.
Memória em livros, discos e CDs
A poucos passos dali, o sebo de seu Edílson reúne milhares de itens em um acervo formado durante 42 anos. A loja abriga discos, CDs e livros, aproximando lembranças, música, literatura e cinema.
Para Edílson, a cultura tem um significado que ultrapassa o entretenimento. “Tu sabe que quem gosta de cultura não morre. O caba que gosta de cultura não morre, não”, afirma.
Aos 162 anos, Campina Grande preserva sua memória tanto nos festejos e expressões artísticas quanto nas atividades de pessoas que abrem suas bancas, afiam ferramentas e reúnem obras culturais diariamente.







