O Amazonas receberá reforço federal para combater os incêndios florestais após registrar 1.380 focos de fogo nos dez primeiros dias de outubro, alta de 271% em comparação com o mesmo período do ano passado. A operação terá aviões da Força Aérea Brasileira (FAB), helicópteros, aeronaves de apoio e brigadistas.
Os dois KC-390 da FAB estavam a caminho de Manaus, com chegada prevista para este domingo (11) e início das atividades na segunda-feira (12). A estrutura mobilizada também inclui quatro aeronaves Air Tractor e dois helicópteros. Ao todo, 290 brigadistas federais já atuam no estado.
O governo de São Paulo enviará 30 profissionais ao Amazonas: 25 bombeiros militares e cinco integrantes da Defesa Civil paulista. O embarque estava programado para as 13h deste domingo (11), com equipamentos e insumos para as ações de combate ao fogo e proteção da população, do patrimônio e do meio ambiente.
Reconhecimento de emergência e recursos
No sábado (10), o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR) reconheceu, em caráter sumário, a situação de emergência decretada pelo governador Roberto Cidade em 36 municípios. O reconhecimento é necessário para viabilizar a liberação de recursos federais destinados ao enfrentamento da crise.
O ministro Waldez Góes esteve no Amazonas no sábado para acompanhar a mobilização. “Não vai faltar nada: equipamentos, veículos, homens, recursos, tudo o que for preciso será disponibilizado”, afirmou.
Desde 2024, o governo federal destinou R$ 45 milhões ao Amazonas por meio do projeto ProAmazon, voltado ao fortalecimento do Corpo de Bombeiros Militar. Desse total, R$ 34,7 milhões foram liberados, enquanto cerca de R$ 10 milhões continuam disponíveis. Os valores podem ser usados na compra de viaturas, equipamentos de segurança e estruturação de bases operacionais.
Distribuição dos focos
Dados do Painel do Fogo, do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam), mostram que, entre 1º e 10 de outubro de 2026, o estado teve 1.380 focos, contra 372 no mesmo intervalo de 2025.
Do total, 1.186 estavam em áreas públicas, 93 em propriedades privadas e 101 em locais sem situação fundiária definida. Também foram identificados 246 focos em assentamentos federais, 116 em terras indígenas e 97 em unidades de conservação. Essas categorias não devem ser somadas aos totais por situação fundiária.
O painel classificou 174 registros como relacionados ao desmatamento. Para os demais, não havia causa identificada nos dados consultados.
Roberto Cidade afirmou que a fumaça que encobre parte do estado também é influenciada por queimadas em outras unidades da Federação. A declaração ocorreu após reunião na sede da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa). Para este domingo (11), estava previsto um sobrevoo de Waldez Góes sobre as áreas atingidas, seguido de entrevista coletiva.






