A alfabetização influencia o desenvolvimento escolar nos anos seguintes. Dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) indicam que 66% dos estudantes brasileiros concluíram o 2º ano do ensino fundamental alfabetizados em 2025. O resultado ficou acima da meta nacional de 64% prevista para o período, mas 34% dos alunos avaliados ainda não alcançaram o padrão esperado.
Para Thaynara Souza, pedagoga e especialista em gestão e coordenação pedagógica do Colégio Sigma, o principal ponto é acompanhar a trajetória da criança, e não tirar conclusões a partir de um episódio isolado. Durante essa fase, é comum haver trocas de letras, erros e necessidade de ajuda em algumas tarefas. A atenção aumenta quando as dificuldades continuam por um período prolongado, mesmo com estímulos e intervenções, ou atrapalham o avanço nas atividades.
Sinais que podem ser observados
Entre os indícios estão problemas persistentes para relacionar letras aos sons, pouca progressão na leitura de palavras simples, dificuldade para compreender um conteúdo recém-lido e rejeição frequente de propostas de leitura e escrita. Nenhum desses sinais, sozinho, permite concluir que existe um problema de aprendizagem. A evolução ao longo do tempo e a frequência das dificuldades precisam ser consideradas.
A comparação com outras crianças da mesma idade também não é o melhor parâmetro, já que os estudantes desenvolvem essas habilidades em ritmos diferentes.
Em casa, os responsáveis podem participar sem transformar o momento em uma sequência de estudos. Ler uma história, conversar sobre o enredo, pedir que a criança reconheça uma palavra familiar, montar uma lista de compras ou incentivar pequenos recados são formas de criar contato com a linguagem. A proposta é tornar a leitura e a escrita parte do cotidiano, sem cobrança excessiva.
Quando uma dificuldade permanece, a família deve conversar com professores e coordenação. A escola acompanha o aluno em diferentes atividades e, com as observações dos responsáveis, pode ajudar a definir estratégias adequadas.
A alfabetização também não se resume a decodificar palavras. O desenvolvimento inclui ganhar fluência, compreender textos e avançar na produção escrita. O Indicador Criança Alfabetizada considera a leitura de palavras, frases e textos curtos, além da localização de informações e da inferência de sentidos. O Inep usa como referência o padrão nacional construído a partir da Pesquisa Alfabetiza Brasil.
Para Thaynara Souza, o acompanhamento contínuo permite perceber como a criança constrói essas competências e oferecer apoio quando necessário.







