O número de estudantes matriculados em licenciaturas nas universidades federais aumentou 106% desde 2024, informou o ministro da Educação, Leonardo Barchini. Para ele, o Pé-de-Meia Licenciatura foi um dos fatores que contribuíram para o resultado ao atrair alunos com bom desempenho no Enem e apoiar a permanência deles na formação de professores.
O programa paga R$ 1.050 durante a graduação, com uma parcela direcionada a uma poupança. Antes da iniciativa, havia cerca de 5 mil estudantes com esse perfil no Brasil. No ano passado, o total chegou a quase 9 mil e cresceu novamente este ano.
Barchini afirmou que a baixa procura por cursos voltados à carreira docente também é registrada em outros países. “O que queremos fazer é preservar aqueles que são vocacionados e têm um alto rendimento no Enem”, disse.
Bolsas e investimento em educação
Outra ação mencionada pelo ministro foi o Pibid, programa da Capes que oferece bolsas de iniciação à docência. A iniciativa reúne mais de 80 mil bolsistas em todo o país. Segundo Barchini, Pé-de-Meia Licenciatura e Pibid, juntos, atendem a uma demanda de cerca de 80% por novos professores.
Ao comentar um estudo do Núcleo de Estudos Raciais do Insper, o ministro defendeu os recursos destinados à educação. A análise estima que o Pé-de-Meia do ensino médio pode produzir um benefício econômico de R$ 184 bilhões para o Brasil.
Barchini também disse que o governo avalia ampliar o programa para todos os estudantes do ensino médio. Atualmente, cerca de 60% participam da iniciativa, que custa R$ 12 bilhões por ano. Para incluir todos, seriam necessários mais R$ 4 bilhões a R$ 5 bilhões anuais.
Professores, alfabetização e escola integral
Na avaliação do ministro, a valorização dos professores precisa avançar mesmo após a criação do Piso Nacional dos Professores, em 2008. Ele também criticou o discurso de setores da extrema-direita que, segundo sua avaliação, passaram a atacar a escola nos últimos dez anos.
Barchini defendeu uma mobilização de governos, profissionais da educação e da sociedade para proteger a instituição e as crianças. “Isso representa a proteção das nossas crianças”, afirmou.
Sobre a alfabetização, o ministro informou que o Brasil alcançou 66% de crianças alfabetizadas até os oito anos no ano passado. A meta é chegar a 80% até 2030, embora ele acredite que o objetivo possa ser atingido antes. Luiz Inácio Lula da Silva, segundo Barchini, cobra um índice de 100%.
O avanço foi associado à retomada da coordenação federativa do Ministério da Educação por meio do Compromisso Nacional Criança Alfabetizada. A articulação permite que os estados adotem políticas alinhadas aos desafios do país.
Para os próximos anos, Barchini apontou a aprendizagem com equidade como prioridade. Ele afirmou que o Brasil avançou no acesso e na trajetória escolar, mas precisa concentrar esforços no aprendizado.
A educação em tempo integral é uma das estratégias previstas. O Plano Nacional de Educação estabelece 50% das matrículas nesse formato em dez anos, até 2036. O ministério, porém, pretende alcançar entre 60% e 65%. Hoje, cerca de 25% das matrículas são em tempo integral, e a intenção é elevar o índice para até 60% nos próximos quatro anos.
Para o ministro, ampliar a jornada não significa apenas aumentar o número de horas em sala. A escola também precisa mudar para que a permanência dos estudantes resulte em aprendizagem.







