O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) articulou o adiamento da votação da proposta de emenda à Constituição que prevê o fim da escala 6×1 no Senado. A avaliação de integrantes do governo e de senadores da base e da oposição é que a crise no Supremo Tribunal Federal abriu espaço para a estratégia do parlamentar e de seus aliados.
A PEC havia sido aprovada sem dificuldade pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), na quarta (2). Depois disso, Flávio procurou o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e afirmou que a votação poderia desequilibrar as eleições. Alcolumbre anunciou que a proposta deve ser analisada ainda em 2026, mas somente depois do pleito.
A mudança é vista no governo como um risco para a aprovação da matéria. Dois terços do Senado estarão em disputa nesta eleição, o que era considerado um incentivo para que parlamentares apoiassem o texto. Na Câmara, 472 dos 513 deputados aprovaram a alteração, inclusive parlamentares que haviam criticado a proposta durante meses.
Estratégia alternativa
Antes de pedir o adiamento, Flávio tentou fazer avançar uma proposta de remuneração por hora trabalhada. Segundo a defesa apresentada por ele, o modelo daria mais flexibilidade aos trabalhadores. A iniciativa, porém, não acabaria com a escala 6×1, que continuaria como teto. Uma eventual redução da escala e da jornada seria negociada individualmente entre patrão e empregado.
A chamada PEC da Hora Trabalhada não avançou na CCJ. No início da semana, Flávio também evitou declarar de forma direta que votaria contra o fim da escala 6×1. Em público, disse que apoiaria “a favor da nossa proposta”, em referência ao texto alternativo.
“Nós vamos trabalhar pela liberdade, para que o trabalhador brasileiro possa escolher a sua própria carga horária de trabalho ou como é que vai trabalhar”, afirmou o senador. Ele também suspendeu agendas de campanha para liderar articulações contra a aprovação da medida.
Na CCJ, o senador Rogério Marinho (PL-RN), autor da proposta alternativa da oposição e coordenador da campanha de Flávio, pediu vista. A análise foi retomada uma hora depois. Marinho tentou incluir trechos de seu texto na PEC do fim da 6×1, mas a sugestão foi rejeitada pelos demais senadores.
Durante o debate, Marinho afirmou que reduzir a jornada sem diminuir salários aumentaria os custos e disse que quem defendia o contrário tinha “má-fé” ou era “burro”. O relator Omar Aziz (PSD-AM) reagiu e questionou se os deputados do PL que apoiaram a proposta na Câmara também seriam classificados dessa forma. Apenas 11 dos 97 deputados do partido votaram contra o fim da escala 6×1, em maio.
A proposta tem apoio de cerca de 70% da população, de acordo com institutos de pesquisa, e aparece apoiada por eleitores de diferentes correntes ideológicas. A aprovação da PEC é uma aposta do presidente Lula (PT) para melhorar sua popularidade na reta final da campanha.








