Milla, nome de um dos maiores sucessos de Netinho, foi uma pessoa real. A canção nasceu de um romance vivido pelo compositor Manno Góes durante temporadas em Mar Grande, na Ilha de Itaparica, perto de Salvador. A história foi contada por ele em uma entrevista realizada em 2015.
Manno esteve em Mar Grande nos verões de 1986 e 1987. O cenário que ficou ligado à lembrança reunia um farol apagado, o cais e um moinho abandonado. Foi nesse ambiente que ele conheceu a mulher que inspiraria a música.
O romance e o reencontro
Segundo a descrição do compositor, Milla era baixinha, tinha covinhas, era alegre e gostava de escrever poesias. O relacionamento durou cerca de três meses, até que ela se mudou para Recife.
Anos depois, Milla retornou a Salvador e acabou morando no mesmo prédio que Manno Góes. O reencontro é relacionado pelo compositor ao verso “O destino te mandou de volta, para o meu cais”. Na ocasião, os dois eram casados e tinham filhos, e Milla já havia seguido a própria vida.
“Milla existiu realmente. Foi um amor de verão que aconteceu em Mar Grande, como a música retrata”, afirmou Manno.
De história pessoal a fenômeno do axé
Netinho gravou a música no álbum Netinho ao Vivo!, lançado em 1996. A faixa se tornou o maior sucesso da carreira solo do cantor e ajudou o disco a vender mais de 1 milhão de cópias no Brasil.
O desempenho também ultrapassou as fronteiras brasileiras. Em Portugal, a canção liderou as paradas durante dez semanas. O álbum chegou à segunda colocação entre os discos mais vendidos do país em 1998. “Milla” ainda ganhou versões em seis línguas.
A música permaneceu associada ao axé e passou a ser lembrada por diferentes gerações, especialmente em festas. Para Netinho, a letra desperta identificação porque remete ao reencontro com alguém importante de uma história de amor.
Manno contou que Milla se casou, teve filhos e ficou bem, mantendo uma vida longe dos holofotes. O romance terminou, mas seus elementos — como o cais, Mar Grande e o retorno da personagem — ficaram registrados em uma das canções mais conhecidas do repertório de Netinho.







