A produção do filme “Dark Horse”, inspirado na trajetória de Jair Bolsonaro, é investigada em duas frentes no Supremo Tribunal Federal (STF). Uma delas apura os repasses feitos pelo empresário Daniel Vorcaro; a outra verifica se a produtora Go Up Entertainment usou emendas parlamentares para financiar o longa.
No inquérito sob relatoria do ministro André Mendonça, a Polícia Federal busca esclarecer as circunstâncias dos pagamentos, a origem do dinheiro, o valor total e o destino dos recursos. Os investigadores também levantam a possibilidade de que parte do montante não tenha sido aplicada no filme. O senador Flávio Bolsonaro aparece como investigado nessa apuração.
A segunda investigação é relatada pelo ministro Flávio Dino e examina o possível uso de emendas parlamentares pela produtora. Nesta quinta-feira (10), a PF cumpriu mandados de busca e apreensão contra suspeitos de envolvimento em um esquema de desvio desses recursos. Até o momento, Flávio Bolsonaro não consta como investigado nesse procedimento.
Projeção de arrecadação
Durante a apuração, os investigadores encontraram no plano de negócios uma previsão de que “Dark Horse” alcançaria US$ 100 milhões, valor equivalente a R$ 512,45 milhões na conversão atual. A estimativa foi considerada discrepante em documento da PF divulgado nessa sexta-feira (11), após a quebra do sigilo das apurações sobre o investimento do Banco Master no filme.
Como comparação, o documento cita “Minha Mãe É uma Peça 3”, maior sucesso de arrecadação da história do cinema nacional. O filme obteve R$ 120 milhões, cifra que correspondia, à época, a cerca de US$ 30 milhões.
Para a PF, a diferença entre a previsão do projeto e os parâmetros do mercado brasileiro reforça a necessidade de investigar a viabilidade econômica e a finalidade da operação. A corporação pediu a abertura do procedimento para apurar suspeitas que, em tese, podem envolver lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção e outros delitos relacionados ao financiamento.
A investigação foi autorizada em julho por André Mendonça. A presença de Flávio Bolsonaro entre os investigados foi divulgada nessa sexta-feira (11), depois que o relator retirou o sigilo a pedido de Edson Fachin, presidente da Corte.







