O interesse dos estudantes brasileiros pela escola cresceu no Pisa 2025, enquanto o país recuperou o desempenho anterior à pandemia em Ciências. Os resultados também apontam avanços em Leitura e Matemática na comparação com a média da OCDE, formada por 23 países que participam do exame desde 2000.
Em 2025, 81% dos alunos brasileiros estudavam em escolas com restrições ao uso de celulares. O índice ficou acima da média de 49% entre os 23 países da OCDE analisados e superou o percentual registrado no Brasil em 2022, de 37%. O Ministério da Educação relaciona esse cenário à proibição do uso de celulares sem fins pedagógicos nas escolas.
A pesquisa indica ainda que 16% dos estudantes brasileiros veem a escola como perda de tempo. O resultado foi 6,9 pontos menor que o de 2022 e ficou abaixo da média de 24% observada nos países da OCDE. Curiosidade, perseverança e valorização da escola aparecem associadas a desempenhos melhores em Ciências.
Desempenho nas três áreas
No resultado geral, o Brasil alcançou 408 pontos em Leitura, 377 em Matemática e 409 em Ciências. A distância para a média dos 23 países da OCDE caiu ao longo de 20 anos: passou de 102 para 58 pontos em Leitura, de 131 para 92 em Matemática e de 113 para 77 em Ciências.
Na comparação entre os países da organização que tiveram aumento nos resultados de 2006 a 2025, o Brasil ficou na sétima posição em Leitura e Matemática e na oitava em Ciências. Entre 2018 e 2025, o país também teve perdas menores que a média da OCDE em Leitura e Matemática e superou, em Ciências, o desempenho registrado antes da pandemia da Covid-19.
A aplicação brasileira é feita pelo Inep, ligado ao Ministério da Educação. O Pisa avalia estudantes de 15 anos em três campos. Em Leitura, considera a compreensão, o uso, a avaliação e a reflexão sobre textos. Em Matemática, examina o raciocínio e a aplicação de conceitos na resolução de problemas. Em Ciências, observa a participação em discussões fundamentadas sobre ciência, sustentabilidade e tecnologia.
Perfil dos participantes
O estudo reuniu 760 mil estudantes de 91 países. No Brasil, participaram 30.140 alunos. Do total brasileiro, 72,4% eram de escolas estaduais, 96,9% estudavam em áreas urbanas e 78,1% estavam em unidades localizadas no interior. Além disso, 84,7% cursavam a 1ª ou a 2ª série do ensino médio quando fizeram as provas, aplicadas entre abril e maio de 2025.
Os estudantes brasileiros também apresentaram engajamento com a agenda ambiental acima da média da OCDE em confiança para agir pelo meio ambiente, crença na ação coletiva e interesse em contribuir para a sustentabilidade no futuro.
A OCDE tem atualmente 38 países integrantes. O Brasil não é membro, mas é considerado parceiro-chave da organização. Para entrar na entidade, uma nação candidata passa por avaliação técnica e precisa alinhar leis e práticas econômicas aos padrões internacionais.







