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“Antártida” não transforma o isolamento em tensão nem dá peso ao trauma
Cinema

“Antártida” não transforma o isolamento em tensão nem dá peso ao trauma

O longa de Bruno Safadi reúne bons trabalhos do elenco, mas enfraquece a investigação e deixa sua protagonista à margem da própria história.

A paisagem polar é um dos elementos mais convincentes de “Antártida”. A neve e o gelo recriados pelo filme ajudam a estabelecer o ambiente, mas a direção de Bruno Safadi pouco aproveita o potencial dramático de uma base isolada. Em vez de fazer o público sentir o confinamento e a convivência forçada entre os integrantes, a câmera se concentra quase sempre nas atuações.

A montagem também contribui pouco para criar tensão. Conversas intensas são interrompidas por imagens externas do gelo, em transições que funcionam mais como pausas entre acontecimentos do que como parte da atmosfera. O cenário, que poderia tornar cada deslocamento e cada encontro mais incômodos, permanece distante da experiência dos personagens.

Uma investigação sem impacto

A subcomandante Elisabeth, interpretada por Andrea Beltrão, conduz a busca pelo responsável pelo estupro de Inês (Marina Ruy Barbosa). Enquanto interroga os integrantes da estação, ela se depara com segredos e outros episódios de violência. O problema é que muitas dessas revelações envolvem personagens pouco desenvolvidos, o que reduz o efeito das descobertas.

O roteiro de Cláudia Jouvin tenta reunir diferentes formas de abuso e machismo, mas a quantidade de conflitos prejudica o aprofundamento. O passado de Marina (Leandra Leal), marcado por outro caso de abuso cometido por alguém que também está na base, poderia ampliar a discussão, porém recebe pouco espaço. Os diálogos explicam conflitos e intenções, mas nem sempre conseguem transmitir suas consequências.

A própria investigação recorre a atrasos pouco convincentes, como a demora para considerar as câmeras de segurança e buscar as imagens. Romances secundários e novas ameaças acrescentam desvios a uma trama que já tem dificuldade para sustentar o mistério.

Inês fora do centro

O maior problema está na maneira como o filme trata sua protagonista. Inês é mantida isolada enquanto os demais discutem o crime, e outras pessoas passam a falar em seu lugar. A narrativa acompanha essas conversas com mais interesse do que acompanha o estado emocional da personagem, que perde autonomia e presença.

Marina Ruy Barbosa sustenta Inês mesmo com o espaço reduzido. Andrea Beltrão, Leandra Leal e Lázaro Ramos também tentam encontrar humanidade no material, mas as atuações não compensam a falta de continuidade e de peso emocional em algumas cenas. Ao buscar discutir a violência contra a mulher, “Antártida” enfraquece a própria denúncia: todos querem saber o que aconteceu com Inês, enquanto o filme pouco se detém em como ela está.

Texto produzido pela Redação Cena Plural com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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