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Contas de Dark Horse divergem sobre origem dos recursos usados no filme
Cinema

Contas de Dark Horse divergem sobre origem dos recursos usados no filme

Relatórios do Coaf apontam que a maior parcela identificável das entradas durante as filmagens veio de remetentes brasileiros.

Dados financeiros analisados pela Polícia Federal abriram uma nova divergência nas contas apresentadas pela Go Up Entertainment para explicar o financiamento de Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro. Enquanto uma perícia contratada pela própria produtora sustenta que a maior parte do dinheiro utilizado no Brasil veio do exterior, relatórios do Coaf indicam que, durante as filmagens, a maior parcela identificável das entradas teve origem no Brasil.

Diferenças entre os levantamentos

O laudo privado examinou documentos produzidos entre 1º de junho de 2025 e 4 de junho de 2026. De acordo com a perícia, a produção custou US$ 13,4 milhões, equivalentes a R$ 75,2 milhões pela cotação considerada no documento. Desse total, R$ 20,9 milhões corresponderiam a despesas realizadas no Brasil. A análise afirma que a maior parte dos recursos destinados a essa etapa foi enviada pela Go Up Entertainment LLC, registrada nos Estados Unidos, para a empresa brasileira.

Os dados reunidos pelo Coaf, porém, tratam de outro intervalo: de 10 de novembro a 30 de dezembro de 2025, período que coincide com as filmagens brasileiras. Ao longo desses 50 dias, a Go Up recebeu cerca de R$ 9 milhões e gastou R$ 10 milhões. Os valores são inferiores a metade do montante indicado pela perícia para a produção.

Do total recebido, R$ 3,9 milhões passaram pela Moneycorp Banco de Câmbio. Embora a empresa trabalhe com pagamentos internacionais, os documentos divulgados não confirmam que essa quantia tenha vindo do exterior. O valor representa cerca de 44% das entradas.

Os aproximadamente R$ 5,1 milhões restantes foram enviados por remetentes instalados no Brasil. A lista inclui a GO7 Assessoria, Produção e Marketing Cultural, outra empresa de Karina Gama, responsável por R$ 2,6 milhões; Marcello Lopes, ex-marqueteiro de Flávio Bolsonaro, com R$ 1 milhão; a NTT Brasil, com R$ 750 mil; e Mario Frias, que transferiu R$ 645 mil para a produtora.

Esse recorte não elimina a possibilidade de outras remessas internacionais em um período mais amplo. A divergência está no fato de que, nos 50 dias analisados pelo Coaf, a maior parcela com origem diretamente identificável veio de fontes brasileiras, e não do fundo que recebeu nos Estados Unidos um aporte de Daniel Vorcaro. O comunicado do órgão também não registrou outras grandes entradas consideradas atípicas fora desse intervalo.

Investigação sobre recursos públicos

A perícia declarou não ter encontrado “entradas de caixa oriundas de recursos públicos, repasses governamentais ou financiamentos” e concluiu, com base nos documentos fornecidos para análise, que os recursos do filme eram privados.

A Operação Make Up apura uma possível rota diferente. A Polícia Federal investiga se verbas de emendas parlamentares destinadas ao Instituto Conhecer Brasil (ICB), presidido por Karina Gama, passaram por empresas contratadas pela entidade antes de chegar ao grupo responsável por Dark Horse.

Uma das operações sob análise envolve R$ 700 mil pagos pelo ICB à Dinâmica Editora e ao Instituto Super Poder Educacional. O dinheiro seria destinado a um projeto financiado com emenda de Mario Frias. Depois, a NTT Brasil, administrada por um empresário com vínculos familiares e societários com as fornecedoras, transferiu R$ 750 mil para a Go Up durante as filmagens.

A PF afirma que ainda não estabeleceu uma compatibilidade temporal completa entre os repasses. Mesmo assim, considera a proximidade entre os valores e as relações empresariais um indício que precisa ser investigado.

Limitações apontadas no laudo

A perícia foi encomendada pela defesa de Karina Gama e elaborada a partir dos materiais entregues pela empresária. O documento não identifica individualmente todos os fornecedores, não apresenta os documentos fiscais que permitiriam acompanhar cada pagamento e reúne despesas em categorias amplas.

O laudo atribui ao Havengate Development Fund LP um aporte de exatamente US$ 13.393.081,29 até o momento de sua elaboração. O mesmo valor aparece, até os centavos, como custo total calculado para a produção no Brasil e nos Estados Unidos. O fundo recebeu pagamentos determinados por Daniel Vorcaro para financiar o longa e tem entre seus responsáveis Paulo Calixto, advogado de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.

Operação Make Up

Deflagrada pela PF com apoio da CGU na quinta (10/9), a operação cumpriu 49 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Distrito Federal. A corporação investiga possíveis crimes de peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e irregularidades em contratações.

A apuração também identificou os R$ 645 mil transferidos diretamente por Mario Frias à Go Up em menos de dois meses. A PF questionou a origem financeira do valor diante de rendimentos mensais de cerca de R$ 44 mil registrados pelo deputado.

Flávio Bolsonaro classificou a operação como “fajuta” e defendeu novamente o financiamento do filme. “Foi tudo redondinho”, afirmou. “Investimento privado num filme privado.” O senador participou das negociações que levaram Daniel Vorcaro a financiar Dark Horse e aparece em outra investigação sobre os recursos enviados ao Havengate.

O escritório responsável pela perícia e a Go Up Entertainment foram procurados, mas não haviam respondido até a publicação das informações. O espaço permanece aberto para manifestações e atualizações das partes citadas.

Texto produzido pela Redação Cena Plural com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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