O Angra publicou uma nota de esclarecimento para se desvincular de manifestações atribuídas a dois ex-integrantes contra a deputada estadual eleita Eduarda Campopiano (PL). A declaração veio após comentários relacionados a uma foto em que a política aparece usando uma camiseta da banda.
A confusão começou na segunda-feira, 5, quando uma captura de tela mostrou um suposto comentário de Kiko Loureiro, guitarrista do Angra entre 1992 e 2015, chamando a publicação de “credo”. Loureiro negou ter escrito a mensagem e afirmou que nem conhecia a candidata até então: “Comentário nunca existiu”.
Anderson Bonani, cabeleireiro responsável pela publicação da foto, contestou a versão do músico. Ele disse que o comentário havia sido feito e posteriormente apagado depois que ameaçou processar Loureiro. Bonani também afirmou que a imagem foi feita em seu estúdio e que Campopiano era atendida como uma cliente.
Declaração de Marco Antunes
Marco Antunes, baterista que integrou o Angra entre 1991 e 1993, também se manifestou contra Campopiano nas redes sociais. Em uma publicação com ataques à deputada, ele mencionou sua condição de cofundador da banda e usou expressões ofensivas para criticá-la.
O Angra destacou que não tem responsabilidade nem envolvimento com declarações recentes de ex-integrantes. A banda afirmou que essas opiniões são pessoais e não representam o grupo ou seus atuais integrantes. Também disse que pretende continuar concentrada na música, na própria história e nos fãs.
Na nota, o Angra declarou ainda que respeita a diversidade de opiniões e ideologias de seu público e considera a liberdade de expressão dos fãs um princípio fundamental. A banda afirmou que celebra há 35 anos a música e a cultura brasileiras em diferentes partes do mundo.
A publicação provocou reações divergentes nas redes sociais. Parte dos internautas criticou o posicionamento do grupo e cobrou uma manifestação contra as ideias associadas à deputada. Outros comentários questionaram a decisão de a banda se afastar das declarações dos ex-membros.
Quem é Eduarda Campopiano
Eduarda Campopiano tem 23 anos e se apresenta como “a maior inimiga das feministas de São Paulo”. Ela exerceu mandato de vereadora a partir de 2024 em Praia Grande (SP) e foi eleita deputada estadual.
Entre as declarações atribuídas a Campopiano estão críticas ao feminismo, afirmações sobre identidade de gênero e oposição à política de cotas. Ela também chamou a deputada federal Erika Hilton de “homem biológico” em uma publicação online, o que resultou em uma denúncia formalizada no Ministério Público por transfobia e violência de gênero.
Em outra gravação, Campopiano afirmou que vestibular não deveria ser inclusivo. Ela também celebrou a colonização do Brasil em entrevista, com comentários sobre os povos indígenas e a catequização das índias.
Estimativas indicam que 2,5 milhões de povos indígenas viviam na região que hoje corresponde ao Brasil na chegada de Pedro Álvares Cabral, em 1500. Menos de 10% teriam sobrevivido até os anos 1600.







