As músicas criadas por inteligência artificial chegaram a somar mais de 80 bilhões de reproduções em apenas um mês no esquema comandado por Michael Smith. O americano, de 54 anos, usava contas-robô para aumentar artificialmente a audiência dos arquivos e foi condenado a 18 meses de prisão.
A sentença foi dada na última terça, 6, nos Estados Unidos. Além da prisão, Smith terá de pagar uma multa de cerca de R$ 40 milhões, na cotação atual do dólar, como indenização pela fraude. O caso é o primeiro desse tipo julgado no país.
Como funcionava o esquema
De acordo com as investigações, a fraude durou cerca de 7 anos, entre 2017 e 2024. Smith produzia músicas com inteligência artificial, enviava o material para plataformas de áudio e depois utilizava robôs para reproduzir as faixas. O método criava ouvintes fantasmas e inflava os números de execução.
A prisão ocorreu em 2024, dois anos antes da condenação. Ao longo do período investigado, Smith arrecadou US$ 8 milhões em royalties. O valor deverá ser devolvido à Justiça. As investigações estimam ainda que ele tenha usado até 10 mil contas-robô ao mesmo tempo.
Debate sobre inteligência artificial
O caso ocorre em meio à discussão sobre o uso de inteligência artificial na indústria musical. Neste ano, a empresa Suno perdeu uma ação judicial movida pela GEMA, sociedade alemã de gestão coletiva de direitos autorais musicais. A decisão determinou que a plataforma pare de reproduzir as obras afetadas.
A Suno também responde a um processo coletivo apresentado por quatro músicos, entre eles Jason Isabell. Os artistas acusam a plataforma de permitir que usuários copiem o estilo de seus trabalhos sem consentimento e autorização, além de alegarem violação de direitos autorais.







