Miranda Lambert decidiu usar o novo álbum, “Crisco”, para explorar uma combinação que ainda não fazia parte de sua trajetória: country com influências da disco music. O projeto também marca uma fase em que a cantora quer se divertir mais, sem se prender às convenções do gênero.
A ideia ganhou forma depois de Lambert trabalhar com os sons dos anos 70 em “A Song to Sing”, parceria com Chris Stapleton lançada no ano passado. A experiência levou a cantora e o co-produtor Jesse Frasure a criar outras faixas nessa direção. Para Lambert, a década foi especialmente inspiradora porque as grandes canções não precisavam seguir um único estilo.
Um álbum para dançar
“Crisco” reúne cordas exuberantes, camadas sonoras e brilho pop. Entre as faixas estão “To Everything”, descrita como crescente, e “Snakeskin Boots”, dueto com Ella Langley que abre o disco. O repertório também preserva o lado country da artista em “Two Things Can Be True”, uma balada inspirada em Patsy Cline.
A cantora mantém ainda a abordagem direta sobre a sexualidade feminina em “Whiskey Business”. Lambert brinca que o palco terá bolas de discoteca, mas não as mesmas estruturas usadas por Kacey Musgraves em uma apresentação associada à música “Horses and Divorces”.
O nome do disco foi apresentado em Nashville, durante um evento chamado Crisco Disco Drag Brunch. Lambert afirmou que vê a presença de drag queens como um sinal de que sua carreira chegou a um ponto especial. “Não sei se existe lugar mais alegre na Terra do que um brunch com drag queens”, disse.
Parcerias e novos caminhos
Aos 42 anos, Lambert também atua como produtora, empresária do ramo da moda e dona de uma gravadora. Ela ajudou Ella Langley a criar “Dandelion” e é coautora de “Choosin’ Texas”, música que se tornou a de maior sucesso na história da Billboard Hot 100.
Langley descreveu a colaboração como uma experiência marcada pela generosidade e pela honestidade de Lambert. Para a artista mais jovem, a parceria trouxe confiança para seguir os próprios instintos.
Lambert também foi convidada por Kacey Musgraves para participar de “Horses and Divorces”, em uma aproximação entre duas estrelas que, segundo rumores mencionados por Lambert, eram apontadas como rivais. Em vez de competir com outras cantoras, ela diz preferir usar sua posição para apoiá-las.
“Precisamos fazer isso juntas”, declarou Lambert. A cantora lembrou que, quando lançou o primeiro álbum, em 2005, não tinha muitas mulheres por perto para ajudá-la nos primeiros passos da fama. Hoje, ser mentora, conselheira, parceira criativa e incentivadora de artistas mais novas, como Langley, tornou-se parte importante de seu trabalho.
A trajetória por trás de “Crisco”
Lambert relaciona o momento atual ao caminho que construiu com músicas como “The House That Built Me”, “White Liar” e “Mama’s Broken Heart”. Ela também cita “The Marfa Tapes”, álbum de 2021 gravado no Texas, como parte de uma trajetória concentrada na composição.
A cantora concorre a sete prêmios no CMA Awards de 18 de novembro, embora “Crisco” só possa disputar a premiação no ano que vem. Para Lambert, o reconhecimento recebido até aqui abriu espaço para novas conquistas de outras artistas.
O disco reflete essa fase múltipla. Lambert continua ligada à composição, mas aparece mais disposta a ocupar a pista de dança, misturar referências e contrariar expectativas. Durante a divulgação, ela usou uma blusa com strass que pertenceu a Dolly Parton e contou que guarda outras peças da cantora na casa que constrói no Tennessee com o marido, Brendan McLoughlin.
A relação com Parton aparece também em “A Song to Sing”: Lambert usou brincos da artista no vídeo da música e reconhece a influência dela em sua própria carreira. “Eu estaria aqui sem [Parton]? Provavelmente não”, disse.
Em outro episódio lembrado pela cantora, McLoughlin organizou uma festa para George Strait durante a cerimônia do Kennedy Center Honors, depois que o bar do hotel fechou mais cedo. Lambert contou ainda que, naquela ocasião, o sistema de esgoto dos banheiros dos bastidores estava entupido e que ela não pôde levar latas de aerossol — um problema para quem, como ela mesma resumiu, precisa de spray de cabelo.







