A mulher que acusou Jay-Z de agressão sexual retirou as alegações e declarou, em documento apresentado à Justiça federal de Manhattan, que nunca conheceu nem falou com o rapper. Ela também afirmou que as acusações eram falsas e que não recebeu qualquer compensação pela declaração.
No documento de doze páginas, apresentado sob pena de perjúrio, a mulher disse: “Não há verdade em nenhuma das minhas alegações contra o Sr. Carter”. Ela reconheceu que as acusações causaram dor, sofrimento e danos a Jay-Z.
A declaração foi protocolada junto com o pedido para que ela deixasse de ser ré no processo de acusação maliciosa movido por Jay-Z contra o advogado Tony Buzbee e o escritório dele, com sede no Texas. James Blair Newman, Jr., novo advogado da mulher no caso, afirmou que ela foi vítima de agressão sexual, mas identificou Jay-Z por engano. Segundo ele, a cliente se desculpou com o rapper e a família dele.
Origem do processo
A disputa começou depois que a mulher entrou, em outubro de 2024, com uma ação contra Sean Combs. Ela afirmou ter sido estuprada aos 13 anos e disse que uma celebridade masculina não identificada também a havia agredido sexualmente. Em dezembro de 2024, Jay-Z foi incluído no processo como o réu que antes não havia sido nomeado.
Jay-Z negou a acusação e processou a mulher e os advogados dela. Ele alegou que Buzbee tentou pressioná-lo a fazer um acordo financeiro secreto por meio de uma carta enviada em novembro de 2024. O rapper também afirmou que a mensagem representava uma ameaça à reputação, à vida pessoal e à situação financeira dele.
A mulher retirou voluntariamente a ação contra Jay-Z e Combs no início de 2025, depois de admitir que havia inconsistências em sua história. O processo de extorsão movido por Jay-Z na Califórnia foi arquivado, e um tribunal de apelações manteve a decisão no início deste mês. Os magistrados entenderam que a carta de exigência estava protegida por ter sido enviada antes da abertura de uma ação judicial.
O processo de acusação maliciosa em Nova York continua sendo a ação remanescente de Jay-Z contra Buzbee e o escritório. O rapper sustenta que os advogados deveriam ter percebido, antes do protocolo, que as alegações eram contraditórias, inconsistentes e sem investigação confiável.
Relato sobre as acusações
Na nova declaração, a mulher disse que respondeu a um anúncio no Facebook no fim de setembro ou início de outubro de 2024. A publicação buscava pessoas com relatos de agressão sexual contra Sean Combs. Ela afirmou que o anúncio despertou lembranças de um estupro ocorrido quando tinha 13 anos.
Segundo o documento, durante uma ligação após o preenchimento do formulário, ela contou que era modelo e que havia participado de uma festa após o Teen Choice Awards, em 2000, na cidade de Nova York. No processo, porém, o evento foi identificado como o MTV Video Music Awards.
Ela também afirmou que a ação contra Combs foi apresentada sem seu conhecimento e sem investigação independente dos advogados. Disse ter recebido US$ 1.200 em dinheiro durante uma viagem a Houston, em dezembro de 2024, para uma entrevista com a NBC News. Depois da entrevista, teria feito um teste de polígrafo por causa de divergências no relato, mas disse que nunca recebeu o resultado.
A mulher afirmou que começou a duvidar das próprias alegações contra Jay-Z em janeiro de 2025. Também passou a questionar se havia participado de uma festa com celebridades. Depois que comunicou as dúvidas aos advogados, eles informaram que retirariam o processo, segundo o relato apresentado à Justiça.
Buzbee disse que ainda não havia visto a nova declaração. O advogado afirmou que outros profissionais haviam ouvido a mulher antes dele e que ela teria contado a mesma história a todos. Ele também negou que o envio de uma carta de exigência antes de uma ação judicial pudesse ser considerado extorsão.
Os advogados de Combs negaram separadamente as acusações contra o artista. Buzbee continua representando outros autores em processos civis contra Sean Combs.






