Tom Morello afirma que a música deve reagir ao avanço do autoritarismo. Aos 62 anos, o guitarrista lançou Everyone Gets Everything They Want, organiza o festival Power to the People e voltou a tocar com Bruce Springsteen e a E Street Band.
Em entrevista, Morello criticou a concentração de poder nas mãos de bilionários e disse que o momento exige participação política. Para ele, votar é apenas uma etapa: depois das eleições, é preciso continuar trabalhando pela sociedade que se deseja construir. “A história não é algo que acontece; é algo que fazemos”, declarou.
O artista também comentou a controvérsia envolvendo Ed Sheeran e apresentações de Macklemore. Na avaliação dele, a discussão sobre Sheeran desvia a atenção dos crimes de guerra no Oriente Médio e de questões como a erosão das liberdades, o racismo, a situação dos imigrantes e a perseguição a pessoas por gênero ou orientação sexual.
Um disco com diferentes fases
Morello descreve o novo trabalho como uma reunião de suas experiências na guitarra e na composição. O álbum tem riffs pesados, canções de perfil folk e a faixa “Soldier in the Army of Love”, em que ele se aproxima do rap. “Adjourn It” conta com Serj Tankian e remete ao Rage Against the Machine.
Roman Morello, filho do músico, contribuiu com riffs para cinco músicas. Entre as faixas estão também “Unconquered”, “Date Night” e “Beth From Electronics”. A última foi criada e gravada de uma vez, durante uma sessão em estúdio.
“Date Night” conta a história de três adolescentes holandesas que seduziam oficiais nazistas e os matavam durante a Segunda Guerra Mundial. Morello disse que a música enfrenta resistência mesmo em 2026, embora trate da luta contra o nazismo.
Festival e parceria com Springsteen
O Power to the People foi concebido como um festival de paz, amor, justiça e música. O dinheiro arrecadado será destinado a organizações que defendem o direito ao voto. O evento foi marcado para três semanas antes das eleições de meio de mandato dos Estados Unidos.
Morello também falou sobre a participação na turnê de Bruce Springsteen e da E Street Band. Ele contou que os shows ganharam força depois de uma apresentação beneficente para as famílias de Renée Good e Alex Pretti. A parceria, segundo o músico, mostra que setores diferentes da esquerda podem encontrar pontos de convergência no combate ao fascismo.
Sobre o Rage Against the Machine, Morello disse que, caso haja alguma novidade, os quatro integrantes vão anunciá-la. Ele também afirmou que existem músicas inéditas do Audioslave e que gostaria de vê-las lançadas algum dia.







