RIO DE JANEIRO — A cobertura do naufrágio do Bateau Mouche IV mobilizou a equipe da TV Globo desde os primeiros momentos do resgate. O acidente, ocorrido na virada de 1988 para 1989, matou 55 pessoas, entre elas a atriz Yara Amaral e sua mãe, Elisa Gomes.
A embarcação levava cerca de 150 passageiros para Copacabana, onde o grupo acompanharia a queima de fogos. Por volta das 23h50 de 31 de dezembro de 1988, o barco afundou entre a Ilha de Cotunduba e o Morro da Urca. O excesso de passageiros e alterações irregulares no piso comprometeram a estabilidade da embarcação.
A morte de Yara Amaral
Yara Amaral tinha 52 anos e havia interpretado Joana Flores, sua última personagem, na novela Fera Radical (1988). Informações posteriores indicaram que a atriz sofreu uma parada cardíaca provocada pelo desespero dentro do barco, e não por afogamento.
Sérgio Mamberti chegou a recusar um convite para embarcar por causa de compromissos profissionais. Yolanda Cardoso também não entrou na embarcação: Yara se atrasou para buscá-la em casa.
As imagens do resgate
O repórter Renato Machado e o cinegrafista Lúcio Rodrigues estavam no mar para registrar a festa quando souberam do acidente nas proximidades da Praia Vermelha. Eles acompanharam os comboios de resgate até o Aterro do Flamengo e registraram imagens dos salvamentos.
O material foi levado ao ar em edições extraordinárias de plantão e na abertura do Fantástico em 1º de janeiro de 1989. Na manhã seguinte, Sandra Moreyra conduziu a cobertura ao vivo. Grávida, a jornalista recebeu apoio de telespectadores que telefonaram para a emissora pedindo seu afastamento.
Disputas judiciais
O processo se prolongou por décadas. Nenhum dos empresários responsáveis cumpriu pena em regime fechado, e apenas uma parcela reduzida das famílias recebeu indenizações após anos de disputas judiciais.
A tragédia também foi tema da série documental “Bateau Mouche: O Naufrágio da Justiça”, do streaming Max, que aborda aspectos técnicos, jurídicos e jornalísticos do caso.







