O presidente da Associação Nacional dos Delegados da Polícia Federal (ADPF), Edvandir Felix de Paiva, classificou como irregular o compartilhamento de um relatório de inteligência da corporação com órgãos externos e seu uso no Inquérito das Fake News. Para ele, o documento não poderia ter sido utilizado em um processo criminal.
O relatório foi entregue pelo diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, ao ministro Alexandre de Moraes depois de uma ordem judicial. O material registra que não tem valor probatório e não deve ser usado como elemento de acusação. Ainda assim, Moraes o utilizou para acusar André Mendonça de abuso de autoridade após o ministro pedir um relatório da PF sobre conversas entre Moraes e Daniel Vorcaro.
Paiva afirmou que documentos desse tipo são produzidos para orientar decisões internas da direção da Polícia Federal e informar sobre questões da própria corporação. Segundo ele, a análise de fatos em investigações cabe ao delegado responsável, que encaminha o caso ao Judiciário e ao Ministério Público. A Corregedoria da PF pode avaliar a qualidade de um inquérito, mas uma unidade de inteligência fazer esse tipo de análise seria algo novo para os delegados ouvidos por ele.
“O documento não poderia de maneira alguma circular fora da polícia, porque são impressões internas”, disse Paiva. Ele também afirmou que o formato do relatório e a ausência de identificação de um autor causaram desconfiança entre policiais federais, que chegaram a questionar se o material havia sido produzido dentro da corporação.
O presidente da ADPF acrescentou que a divulgação completa pode prejudicar investigações em andamento ao revelar informações sobre alvos e operações ainda não realizadas. “Alvo que não sabia que era investigado agora sabe”, declarou, apontando que o caso também poderia ser analisado sob a perspectiva de uma possível violação de sigilo.
Paiva, porém, defendeu a equipe que produziu o relatório sobre as conversas de Moraes. Na avaliação dele, os policiais apenas cumpriram uma ordem judicial de André Mendonça, incluindo as determinações de sigilo e identificação das mensagens. A Procuradoria-Geral da República pediu a abertura de uma investigação sobre eventual interferência indevida na PF relacionada à ordem.







