SÃO PAULO — O que começou como paixão por máquinas de pinball virou o Old School Pinball, espaço criado por Ricardo Kobe na região central de São Paulo. O local reúne mais de cem máquinas, além de brinquedos, telefones, garrafas de refrigerante, caixas, câmeras fotográficas e outros objetos associados às décadas de 1980 e 1990.
Kobe se aproximou dos fliperamas na adolescência, quando frequentava arcades com os irmãos e os amigos depois da escola. Na época, ele conta que os frequentadores tentavam economizar nas fichas e até levantavam as mesas para ganhar a bola. Também conheceu as máquinas eletromecânicas, com roletes e sinos, antes da chegada dos modelos eletroeletrônicos nacionais da Taito, em 1973.
De hobby a negócio
A primeira máquina comprada por Kobe foi uma Fire Action, em 1989. O equipamento, que ele ainda mantém, custava pouco naquele período de queda do pinball e dos fliperamas. As máquinas eram vendidas como sucata, muitas vezes em grandes lotes. Ele relata ter recebido ofertas de R$ 25 ou R$ 50 por unidade, desde que levasse 100 máquinas.
O acervo cresceu aos poucos, até que o colecionador decidiu transformá-lo em negócio ao lado do sócio Nicolau. No Old School, o visitante paga para entrar e jogar à vontade, em vez de comprar fichas a cada partida. A proposta foi pensada para ser um lugar que Kobe gostaria de frequentar com os amigos.
O ambiente combina as mesas de pinball com placas vintage iluminadas por neon, prateleiras de objetos antigos e luminárias feitas com unidades do brinquedo Genius. A trilha sonora inclui músicas de Tears for Fears, New Order e Rick Astley.
Kobe afirma que o espaço desperta reconhecimento principalmente entre os visitantes mais velhos, que identificam objetos e referências de períodos que viveram. Para as gerações mais novas, os itens funcionam mais como peças curiosas de uma época que não conheceram.
Planos para o acervo
Atualmente, o colecionador diz estar mais interessado em reunir objetos e reproduzir sensações do passado do que em ampliar o número de máquinas. Parte delas fica armazenada, e equipamentos parados podem exigir meses de trabalho para voltar a funcionar.
Entre os itens mais difíceis de encontrar, ele destaca um pôster da Coca-Cola, da década de 1980, que foi danificado durante o transporte. A imagem precisou ser restaurada digitalmente, pedaço por pedaço, em um processo que durou quase um ano.
O próximo objetivo de Kobe é levar o acervo para um espaço maior e montar um museu dedicado às máquinas, aos robôs, às estátuas e aos demais objetos reunidos ao longo do tempo. “Um museu com M maiúsculo”, como ele define.







