A Polícia Militar do Rio de Janeiro apreendeu mais de 40 drones entre janeiro e agosto deste ano. O número supera os pouco mais de 20 equipamentos recolhidos ao longo de todo o ano de 2025.
A alta acompanha uma mudança no uso dessas aeronaves pelo crime organizado. Além de acompanhar a movimentação de policiais e grupos rivais, os drones passaram a ser usados para transportar itens ilícitos e observar pontos considerados sensíveis. Com isso, muros, câmeras e controles de acesso podem não ser suficientes para acompanhar a vigilância feita pelo ar.
Em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, um homem foi preso depois de usar um drone para monitorar policiais e grupos rivais. A atividade era remunerada e ligada ao tráfico.
Para Hen Harel, CEO e fundador da Ôguen, empresa especializada em detecção de drones e segurança perimetral, o caso mostra que os planos de proteção precisam considerar o espaço aéreo de baixa altitude. “Quando o drone passa a integrar uma operação de forma recorrente, não estamos mais falando de um equipamento isolado”, afirmou.
Risco em presídios e instalações críticas
A ameaça também apareceu em uma operação realizada em agosto pela Força Penal Nacional e pela Polícia Penal de Mato Grosso do Sul. As equipes interceptaram dois drones que tentavam levar celulares e substâncias ilícitas para a Penitenciária Estadual Jair Ferreira de Carvalho, em Campo Grande.
A mesma tecnologia pode ser usada para observar acessos, rotinas, equipamentos e pontos vulneráveis em instalações de energia, portos e áreas de mineração. Drones pequenos conseguem voar baixo, chegar de diferentes direções e permanecer poucos minutos sobre determinado local.
A proteção começa pela detecção, mas pode reunir dados de radiofrequência, trajetória e confirmação visual para identificar a aeronave e avaliar o risco. A meta é diminuir o intervalo entre a entrada de um equipamento desconhecido e a compreensão sobre a necessidade de resposta.
As regras brasileiras também foram atualizadas. O RBAC nº 100 entrou em vigor em 16 de junho de 2026 e passou a dividir as operações civis de drones, conforme o risco, nas categorias Aberta, Específica e Certificada. O DECEA mantém o SARPAS para procedimentos ligados ao acesso ao espaço aéreo.
O assunto ainda é discutido no Senado. O PL 3.611/2021 segue em análise e busca regulamentar o uso de drones por órgãos de segurança pública.
Na avaliação de Harel, a proteção precisa identificar a aeronave não autorizada antes que ela cumpra a finalidade para a qual foi enviada. “Depois vêm identificação, registro, classificação do risco e resposta dentro das possibilidades legais”, disse.







