NOVA YORK — Kurt Loder, apresentador da MTV News, estava em casa, no bairro de TriBeCa, a três quarteirões do World Trade Center, quando a primeira explosão o acordou em 11 de setembro. Ao lado da namorada, ele viu a fumaça subir e moradores se reunirem nas esquinas, tentando entender o que havia acontecido.
O casal voltou ao apartamento para buscar os dois cachorros. Na rua, sirenes, gritos e a movimentação de policiais e bombeiros acompanhavam a fuga de pessoas pela Greenwich Street. Loder conta que uma das torres já havia desaparecido, enquanto a outra estava em chamas. Pouco depois, a segunda torre também desabou.
A volta ao apartamento
O dia terminou em Greenwich Village, na casa de um amigo. Loder descreveu uma cidade estranhamente dividida: veículos de emergência seguiam para o sul, caças e helicópteros militares ocupavam o céu, mas alguns restaurantes próximos às ruas Bleecker e MacDougal continuavam abertos.
Na manhã de sexta-feira, ele e a namorada conseguiram retornar ao prédio depois de apresentar uma conta antiga que comprovava o endereço. Um sargento da Guarda Nacional os acompanhou por uma escada escura até o apartamento, onde tiveram quinze minutos para recolher alguns pertences.
As janelas estavam abertas, e os cômodos haviam sido cobertos por uma camada de poeira cinza-esbranquiçada de cerca de um centímetro e meio. Apesar da destruição ao redor, os objetos permaneciam quase exatamente como haviam sido deixados. O casal saiu rapidamente.
Mais tarde, Loder voltou à região com uma amiga e o filho dela, de doze anos. Sem conseguir atravessar as barreiras policiais, os três passaram pela Greenwich Street e observaram, de uma área reservada à imprensa, os escombros do World Trade Center.
Socorristas e a esperança por sobreviventes
No Reade Street Pub, Loder encontrou socorristas cobertos de fuligem e um condutor de cães que trabalhava no local. O homem afirmou que vários cães de resgate haviam se perdido entre os escombros e disse ter localizado trinta e três partes de corpos.
No mesmo bar, um socorrista de Nova Jersey, que havia viajado para oferecer ajuda depois do ataque de terça-feira, ainda acreditava que poderia haver vítimas vivas sob os destroços. “Eu sei que existe um milagre por aí”, afirmou. Questionado se já havia encontrado algum, respondeu que não.
Quase uma semana depois, Loder escrevia de uma casa no interior do estado de Nova York, longe do apartamento em Manhattan, que permanecia bloqueado e inacessível. O apresentador refletia sobre o impacto do ataque e sobre as perguntas abertas pelo episódio, mas dizia estar exausto e querer apenas voltar para casa.








