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Nevermind levou o Nirvana do underground ao centro da cultura pop
Foto: Michel Linssen/Redferns via Getty Images
Música

Nevermind levou o Nirvana do underground ao centro da cultura pop

Álbum de 1991 transformou o rock, impulsionou o grunge e influenciou até a moda ao redor do mundo.

O Nirvana deixou de ser uma banda alternativa de Seattle e passou a ocupar o centro da cultura pop com Nevermind, lançado em 1991. O segundo álbum do grupo mudou os rumos do rock, ampliou o interesse das gravadoras por artistas independentes e ajudou a redefinir padrões estéticos em outras áreas, como a moda.

A formação que gravou o disco reunia Kurt Cobain, Krist Novoselic e Dave Grohl. Antes de Grohl assumir a bateria, Jason Everman e Chad Channing passaram pelo grupo. O álbum de estreia, Bleach, de 1989, havia chamado atenção no underground com uma mistura de punk, metal e garage rock.

Da Sub Pop à Geffen

Em 1990, o Nirvana enfrentava dificuldades enquanto ampliava as turnês pelos Estados Unidos e pela Europa. A Sub Pop Records, gravadora responsável por divulgar bandas do Noroeste do Pacífico, estava perto da falência. A insatisfação do grupo aumentou porque o selo mantinha tiragens limitadas, o que dificultava o retorno financeiro para os artistas.

Durante sessões em Wisconsin com o produtor Butch Vig, o Nirvana gravou cinco músicas que entrariam em Nevermind, entre elas “Polly”, “In Bloom” e “Lithium”. Nesse período, Chad Channing foi demitido e Dave Grohl entrou para a banda. As gravações começaram a circular pela indústria, despertando o interesse da Geffen Records.

A aproximação contou com a participação do Sonic Youth, que havia assinado com a subsidiária DGC e era amigo do Nirvana. O contrato foi assinado em 30 de abril de 1991. Em maio, a banda começou a trabalhar no álbum em Los Angeles, novamente com Butch Vig.

Entre as músicas desenvolvidas nesse processo estava “Smells Like Teen Spirit”, que Kurt Cobain descreveu como uma tentativa de criar a música pop definitiva. O vocalista também reconheceu a influência do Pixies na dinâmica da faixa, alternando momentos suaves e pesados.

A etapa de mixagem gerou divergências. Banda e produtor não ficaram satisfeitos com as primeiras versões, e Kurt escolheu Andy Wallace, conhecido pelo trabalho com o Slayer, para concluir a tarefa. O resultado ficou mais polido e direto, mas manteve a potência que ajudaria a tornar o disco onipresente.

Um sucesso que mudou o mercado

“Smells Like Teen Spirit” se tornou o principal motor da repercussão de Nevermind. O clipe ganhou grande espaço na MTV, e o que seria uma turnê de uma banda alternativa precisou crescer rapidamente.

A expectativa da Geffen era vender, no melhor cenário, 250 mil cópias. O disco, porém, alcançou o primeiro lugar nas paradas americanas em janeiro de 1992, menos de três meses depois do lançamento. Com isso, tirou Dangerous, de Michael Jackson, do topo. Ao fim do processo, Nevermind havia comercializado mais de 30 milhões de cópias no mundo.

O impacto foi além das vendas. O álbum marcou o fim da estética exagerada e colorida associada à década de 1980 e abriu espaço para uma nova linguagem. Bandas de Seattle e de áreas próximas passaram a atrair a atenção das grandes gravadoras. Pearl Jam, Soundgarden e Alice in Chains se tornaram nomes associados ao Nirvana na construção da identidade conhecida como grunge.

A influência também chegou à moda. Jeans e camisas de flanela, usados pelas bandas por causa do clima chuvoso de Seattle, passaram a interessar à indústria. O estilista Marc Jacobs criou coleções inspiradas no estilo funcional do Noroeste do Pacífico.

Musicalmente, o álbum combinava canções de forte apelo pop com temas de alienação, solidão e saúde mental. “Come As You Are” mostrava a capacidade do Nirvana de criar uma faixa acessível sem repetir a fórmula do Pixies. Já “Polly” e “Something in the Way” apostavam em arranjos mais quietos para provocar inquietação.

O sucesso, no entanto, incomodava Kurt Cobain. O vocalista passou a se sentir vendido e tentou recuperar a credibilidade underground da banda. A fama e o escrutínio também dificultaram qualquer recuo depois que o grupo alcançou o mainstream. Cobain morreu por suicídio três anos depois.

Dave Grohl e Krist Novoselic continuaram demonstrando distância em relação à ideia de que o álbum teria sido revolucionário. Em uma entrevista de 2002, Grohl afirmou: “Isso seria egocentrismo demais”. Novoselic resumiu sua visão dizendo que Nevermind era apenas um disco de rock’n’roll, feito com simplicidade e sentimento.

Mesmo para os integrantes, a dimensão do resultado parecia difícil de medir. Para o público, Nevermind se tornou uma porta de entrada para o Nirvana, para o grunge e, em muitos casos, para a música em geral.

Texto produzido pela Redação Cena Plural com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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