A força de Dois aparece no topo da avaliação da discografia da Legião Urbana. Lançado em 1986, o álbum é descrito como o conjunto mais consistente de canções da banda e como um trabalho profundamente incorporado à cultura brasileira.
A lista considera os sete álbuns de estúdio lançados pela Legião Urbana durante sua carreira. Discos póstumos ficaram de fora, assim como a compilação Música para Acampamentos, de 1992.
Os primeiros lugares
1º — Dois (1986)
O segundo álbum reúne músicas que apresentam uma composição mais madura sem perder o apelo imediato. A avaliação destaca “Daniel na Cova dos Leões”, pela narrativa LGBTQ+, “Tempo Perdido”, ligada ao envelhecimento, e “Índios”, marcada por uma abordagem anticolonialista e pela dificuldade de execução ao vivo.
As referências menos explícitas das canções também contribuíram para a relação do público com o disco: os ouvintes eram levados a buscar os significados das letras. Para a análise, são poucos os álbuns capazes de criar um vínculo desse alcance.
2º — Que País É Este 1978/1987 (1987)
O trabalho foi montado com sobras das sessões dos dois primeiros álbuns, depois que o sucesso de Dois levou a gravadora EMI a buscar um lançamento rápido. Algumas faixas, como “Química”, “Tédio (Com Um T Bem Grande Pra Você)” e “Faroeste Caboclo”, já existiam havia quase dez anos.
Mesmo com material antigo, o disco se beneficiou de uma produção considerada superior à da estreia. “Que País É Este” combina a agressividade associada ao The Clash com elementos folk incorporados pela banda ao longo do tempo.
3º — Legião Urbana V (1991)
Frequentemente associado ao rock progressivo, o álbum é apresentado como um trabalho contemplativo, com influência da música tradicional italiana. “Metal Contra as Nuvens” representa uma de suas mudanças mais bruscas, enquanto “Sereníssima” e “O Teatro dos Vampiros” reforçam a qualidade das composições.
A avaliação também relaciona o disco a Equilíbrio Distante, projeto que Renato Russo exploraria em 1995.
Do quarto ao sexto lugar
4º — O Descobrimento do Brasil (1993)
O álbum combina diferentes caminhos sonoros. “Vinte e Nove” se aproxima do pop barroco feito pelo R.E.M., com violões, bandolins e cordas. “Vamos Fazer Um Filme” retoma a influência do The Smiths, enquanto “Perfeição” mistura guitarras intensas e batidas eletrônicas. “Love in the Afternoon” incorpora cítaras, tablas e outros instrumentos indianos.
Nas letras, Renato Russo constrói um retrato do Brasil pós-Collor, alternando otimismo cauteloso e desconfiança diante do ufanismo. O disco fica atrás dos três primeiros por apresentar material considerado menos forte.
5º — A Tempestade ou O Livro dos Dias (1996)
Produzido enquanto Renato Russo enfrentava complicações causadas pela Aids, o álbum é atravessado pela percepção de uma morte próxima, embora não seja tratado apenas como uma despedida. A abertura “Natália”, “Leila” e “Soul Parsifal”, parceria com Marisa Monte, evidenciam a variedade da escrita do cantor.
A análise considera que o trabalho não se propõe a funcionar como um canto do cisne. Por isso, é classificado como um disco abaixo da média da Legião Urbana.
6º — Legião Urbana (1985)
A estreia concentra sucessos como “Geração Coca-Cola”, “Será”, “Por Enquanto” e “Ainda É Cedo”. A crítica feita ao álbum está principalmente na gravação original, considerada inferior às versões apresentadas posteriormente ao vivo.
O produtor José Emílio Rondeau conhecia as referências da banda, mas a equipe da EMI é apontada como tecnicamente despreparada para extrair o melhor do equipamento usado. O resultado é descrito como datado e próximo de uma estética lo-fi.
A última posição
7º — As Quatro Estações (1989)
O álbum reúne alguns dos maiores sucessos da carreira, entre eles “Pais e Filhos”, “Há Tempos” e “Quando o Sol Bater na Janela do Seu Quarto”. A primeira faixa é destacada pela letra impressionista e pelo refrão que se tornou parte da cultura nacional.
Também aparecem problemas de execução. “Monte Castelo”, adaptação de um soneto de Luís de Camões, é citada como exemplo de uma ambição que não teria sido plenamente realizada. Já “Eu Fui Um Lobisomem Juvenil” sofre, na avaliação, com as limitações técnicas do grupo.
A conclusão é que a banda buscou voos mais altos durante o auge do sucesso comercial, mas ainda não tinha recursos suficientes para concretizar todas essas intenções. Os trabalhos seguintes indicariam um aprendizado nesse sentido.
A Legião Urbana foi formada por Renato Russo nos vocais, Dado Villa-Lobos na guitarra, Renato Rocha no baixo e Marcelo Bonfá na bateria. Liderado por Renato, o grupo combinou referências do indie rock britânico, influências folk e literatura. O cantor morreu em outubro de 1996, mas a obra continuou presente entre o público brasileiro.







