LOS ANGELES — Paul McCartney contou como as diferenças artísticas contribuíram para os atritos com John Lennon depois do fim dos Beatles. A lembrança veio durante uma conversa com o cineasta Judd Apatow na exibição de Man on the Run, filme sobre a criação da Wings no começo da década de 1970.
McCartney explicou que Lennon esperava dele uma postura diferente naquele momento. Enquanto o ex-companheiro buscava algo mais profundo, Paul preferiu conduzir a carreira por um caminho livre, divertido e irreverente.
“Ele esperava algo diferente de mim, e eu não estava fazendo isso”, disse McCartney, ao explicar que não havia seguido a direção artística imaginada por Lennon.
As dores de Lennon
Na mesma conversa, o músico comentou a personalidade do antigo parceiro e afirmou que Lennon podia agir como “um completo idiota em certas coisas”. Para McCartney, essa avaliação não apagava a admiração que sentia pelo amigo.
O Beatle relacionou o comportamento de Lennon às experiências difíceis que ele viveu. O pai teria deixado a família quando John tinha cerca de três anos, e os dois só voltaram a se encontrar quando os Beatles ficaram famosos. Depois, o pai trabalhava em um pub perto da casa onde Lennon morava.
McCartney também falou sobre Julia, mãe de Lennon, por quem o músico tinha grande admiração. Ela foi atropelada e morreu em frente à casa. Na avaliação de Paul, essas perdas deixaram muita angústia, que Lennon precisou expressar ao longo da vida.
O cantor citou ainda o chamado “grito primal” ao falar sobre a forma como o amigo colocava esse sofrimento para fora.
Apesar das tensões e das críticas públicas no período posterior à separação dos Beatles, McCartney afirmou que os dois conseguiram fazer as pazes alguns anos antes da morte de Lennon, assassinado em Nova York em dezembro de 1980.







